Obama restringe uso de armas nucleares pelos EUA

O governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, lançou uma nova política nesta terça-feira restringindo o uso de armas nucleares por parte do país, mas alertou que Irã e a Coreia do Norte continuam sendo possíveis alvos.

iG São Paulo |

O presidente e seus assessores elaboraram uma revisão da estratégia norte-americana que renuncia ao desenvolvimento de novas armas atômicas e que pode levar a mais cortes no arsenal nuclear dos EUA.

Obama afirmou que a nova estratégia nuclear dos EUA é um "passo significativo" para a redução do papel de armas atômicas no mundo. O presidente ressaltou que sua nova política nuclear sustenta a segurança nacional do país, reduzindo o papel das armas nucleares no arsenal norte-americano mas mantendo a pressão sobre Estados que buscam essas armas, referindo-se à Coreia do Norte e ao Irã.

"A maior ameaça aos EUA e à segurança mundial não é mais uma troca nuclear entre nações, mas o terrorismo nuclear por extremistas violentos e a proliferação nuclear em um número crescente de Estados," disse Obama em comunicado.

Sob a nova política, os Estados Unidos estão abdicando pela primeira vez ao uso de armas atômicas contra países não nucleares, um rompimento com a ameaça da era Bush de retaliação nuclear no caso de um ataque biológico ou químico.

Mas a nova estratégia vem com uma condição: países estarão livres da resposta nuclear norte-americana apenas se estiverem de acordo com o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Essa brecha significa que o Irã e a Coreia do Norte não estariam protegidas.

"A Revisão da Postura Nuclear que estamos divulgando hoje representa um marco na transformação de nossas forças nucleares e na maneira como abordamos as questões nucleares", afirmou a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

"Estamos recalibrando nossas prioridades para prevenir a proliferação nuclear e o terrorismo nuclear", disse Clinton, ao anunciar o plano ao lado do secretário de Defesa, Robert Gates.


No Pentágono, Gates e Hillary dão detalhes da nova estratégia / AP

Mas a estratégia de reforma de Obama deve atrair críticas de conservadores, que dizem que sua abordagem pode comprometer a segurança nacional, e desapontar liberais, que querem medidas mais drásticas do presidente com relação ao controle de armas.

A Revisão da Postura Nuclear é exigida pelo Congresso a cada governo dos EUA, mas Obama estabeleceu altas expectativas depois de sua promessa de encerrar a "mentalidade da Guerra Fria" ao receber o Prêmio Nobel da Paz em parte por sua visão de um mundo livre de armas nucleares.

Pacto com a Rússia

A restrição do uso de armas nucleares anunciada hoje antecipa a assinatura do tratado histórico de controle de armas com a Rússia em Praga na quinta-feira e uma cúpula sobre segurança nuclear em Washington na próxima semana.

O novo pacto com a Rússia substitui o Tratado Estratégico de Redução de Armas (Start, na sigla em inglês), de 1991, que expirou em dezembro, e determina que os dois países reduzam seus arsenais em cerca de 30%, para 1.150 ogivas nucleares cada.

Cúpula de não-proliferação

Na próxima semana, o presidente americano receberá dezenas de líderes mundiais para uma cúpula sobre a não-proliferação de armas nucleares em Washington.

O presidente americano disse que seu objetivo é um mundo sem armas nucleares e prometeu reduzir o arsenal americano.

Na segunda-feira, um comunicado da Casa Branca afirmou que a nova política nuclear oferece "uma alternativa ao desenvolvimento de novas armas nucleares, que nós rejeitamos".

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