Obama: resgate financeiro pode adiar outros gastos públicos

Por Steve Holland NOVA YORK (Reuters) - O candidato democrata a presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, admitiu na terça-feira que o gasto de 700 bilhões de dólares para amparar o sistema financeiro deve adiar alguns investimentos sociais prometidos por ele.

Reuters |

Obama, que na sexta-feira enfrenta o republicano John McCain no primeiro debate presidencial do ano, disse que se for eleito pode ter de escalonar a realização de alguns projetos, como a reforma do sistema público de saúde, que teria um custo de 50 a 65 bilhões de dólares por ano.

Ligeiramente à frente nas pesquisas, a seis semanas da eleição, Obama disse ao programa "Today" que os 700 bilhões de dólares previstos no plano "não serão gastos de uma só vez, e não prevemos que todo o dinheiro seja perdido".

Por isso, segundo ele, não está claro qual seria o impacto do resgate sobre o orçamento.

"Significa que eu posso fazer imediatamente tudo o que propus nesta campanha? Provavelmente não. Acho que teremos de escalonar. Muito vai depender de como ficará a nossa arrecadação fiscal", disse Obama.

Mais tarde, em Clearwater (Flórida), onde deve passar três dias se preparando para o debate, Obama disse que "a redução de impostos para a classe média sobre a qual estamos falando - 95 por cento dos norte-americanos tendo uma redução fiscal - continua sendo algo que faz sentido neste tipo de ambiente".

Fazendo campanha em Ohio, McCain tentou se apresentar como um azarão no primeiro debate. "Que ninguém duvide da capacidade do senador Obama para debater. Quero dizer, ele é muito, muito bom. Foi capaz de derrotar a senadora Hillary Clinton, que todos sabemos ser muito bem capacitada", afirmou.

Sua candidata a vice, Sarah Palin, criticada por sua inexperiência em questões de política externa, foi a Nova York, onde ocorre a Assembléia Geral da ONU, e se encontrou com os líderes do Afeganistão e da Colômbia, e também com o ex-secretário de Estado Henry Kissinger.

O resgate das instituições financeiras afetadas pela crise custaria quase tanto quanto o que os EUA gastaram desde o final de 2001 nas guerras do Afeganistão e Iraque (cerca de 800 bilhões de dólares).

Dessa forma, a guerra e o resgate financeiro contribuiriam com cerca de 1,5 trilhão de dólares a uma dívida pública que rapidamente se aproxima dos 10 trilhões.

A proposta do governo é que o Tesouro possa comprar dívidas podres para sanear instituições financeiras, inclusive filias locais de bancos estrangeiros, e tentar conter a pior crise financeira desde a Grande Depressão, na década de 1930.

Embora tenham feito críticas ao plano, Obama e McCain concordam quanto à necessidade de sua aprovação no Congresso. Mas os 700 bilhões de dólares a serem gastos certamente restringiriam as políticas públicas que podem ser promovidas pelo próximo presidente.

(Reportagem adicional de Deborah Charles, Ellen Wulfhorst e Patricia Wilson)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG