Obama reitera que soldados dos EUA sairão do Iraque até 2011

Macarena Vidal. Istambul, 7 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reiterou hoje ao primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, durante visita de surpresa ao Iraque, que todas as tropas americanas terão saído do país árabe até 2011.

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Obama reuniu-se hoje por meia-hora com o premiê iraquiano na residência do comandante-em-chefe das tropas americanas no Iraque, general Ray Odierno, na base "Camp Victory", próxima a Bagdá.

O presidente americano falou dos últimos atentados registrados no país, que deixaram 42 mortos em Bagdá em dois dias, e afirmou que, apesar de tudo, "mantemos nossas resoluções e nosso compromisso".

"Não devemos nos distrair porque fizemos enormes progressos colaborando com o Governo iraquiano nos últimos meses", explicou.

Ele reiterou ainda seu compromisso com uma transição gradual da responsabilidade das forças americanas às iraquianas, que "resultará na retirada de todas as tropas americanas até 2011", disse Obama, que ainda teve uma segunda reunião bilateral, com o chefe de Estado iraquiano, Jalal Talabani.

Obama havia anunciado em fevereiro o fim das operações de combate e a saída da maioria dos atuais 144 mil soldados americanos no Iraque até agosto de 2010.

A partir dessa data, permanecerão ali de 35 mil e 55 mil militares dos EUA, para trabalhos de assessoria e formação, que terminarão até dezembro de 2011.

Segundo Barack Obama, a realização das eleições no Iraque em dezembro pode começar a resolver "muitas das questões pendentes".

A visita de surpresa, que segundo Obama tinha como objetivo agradecer às tropas por seu "extraordinário esforço", aconteceu ao final de uma viagem pela Europa que o levou a Londres, Estrasburgo (França), Kehl (Alemanha), Praga, Ancara e Istambul.

A ideia original, segundo explicou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, era ir imediatamente de helicóptero de Istambul a Bagdá, mas o mau tempo forçou a mudança de plano.

Em vez disso, Obama foi de carro até a base aérea americana "Camp Victory", onde recebeu Maliki e Talibani, além do general Ray Odierno, que lhe informou da situação da segurança e com quem falou dos desafios políticos e diplomáticos no país árabe.

Durante sua estadia na base, o presidente americano também cumprimentou os cerca de 600 soldados presentes e participou em cerimônia para conceder dez medalhas por coragem.

Durante essa cerimônia, Obama ressaltou que os próximos 18 meses, com a saída do grosso das tropas e as eleições, "podem ser um período crítico. É momento de transferir aos iraquianos a responsabilidade pela segurança de seu país".

A visita do presidente americano é a primeira desde sua chegada à Casa Branca, e sua terceira em dois anos, logo após um aumento da violência no país árabe.

Ontem, seis carros-bomba explodiram em bairros de maioria xiita em Bagdá, matando 34 pessoas e ferindo mais de 130, enquanto hoje outro atentado semelhante deixou pelo menos outros oito mortos.

Anteriormente, Obama havia visitado o Iraque em janeiro de 2006 e em julho do ano passado, em plena campanha eleitoral, indo a Basra, no sul do país, Bagdá e Ramadi, então um local de frequentes conflitos armados.

A possibilidade de Obama ir de Istambul a Bagdá havia sido especulada há vários dias pela imprensa que acompanhava o presidente em sua viagem pela Europa.

Inicialmente havia se considerado a possibilidade de ele ir ao Afeganistão, mas, segundo Gibbs, o presidente optou por uma visita ao Iraque por sua proximidade da Turquia e pela necessidade de tratar com as autoridades iraquianas de "soluções políticas" para conseguir progressos no país. EFE mv/jp

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