Obama reitera que erros em segurança são inaceitáveis e anuncia reformas

Teresa Bouza. Washington, 5 jan (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, insistiu hoje em que o recente ataque fracassado contra o voo da Northwest Airlines no último dia 25 expôs erros inaceitáveis de Inteligência e anunciou reformas imediatas.

EFE |

"Enfrentamos um desafio de extrema urgência", disse Obama depois de se reunir com membros de seu Gabinete e sua de equipe de segurança nacional.

Segundo o presidente americano, o que aconteceu no último Natal comprova que a rede terrorista Al Qaeda "e seus aliados extremistas não se deterão diante de nada em seu esforço para matar americanos".

Para Obama, os sistemas de segurança dos EUA falharam de forma "potencialmente desastrosa" ao permitir que Umar Farouk Abdulmutallab, um jovem nigeriano de 23 anos, embarcasse em um voo de uma companhia aérea americana com explosivos em sua roupa.

O presidente americano assegurou que a Inteligência dos EUA tinha informação suficiente para detectar e "potencialmente" desarticular o atentado fracassado.

"A comunidade de Inteligência fracassou no momento de cruzar todos os dados, o que teria colocado o suspeito na lista de pessoas que não têm permissão para voar", ressaltou Obama.

"Aceitarei que a informação de inteligência é por natureza imperfeita, mas está cada vez mais claro que a informação de inteligência não foi devidamente analisada. Isso não é aceitável", afirmou.

O nome de Abdulmutallab estava em uma lista que inclui cerca de 550 mil suspeitos de terrorismo, mas não aparecia em uma que o obrigaria a passar por uma revista adicional ou que o impediria de voar.

Após o incidente, Obama pediu duas revisões paralelas.

A primeira está a cargo da secretária de Segurança Nacional, Janet Napolitano, e avalia os sistemas de revista nos aeroportos e as mudanças necessárias para uma maior efetividade.

A segunda, liderada pelo assessor em temas antiterroristas de Obama, John Breenan, deve determinar como as listas de vigilância terrorista podem funcionar melhor.

"Esta revisão em andamento continua revelando mais erros humanos e sistêmicos que quase custaram a vida de 300 pessoas", afirmou o governante.

Obama antecipou que a Casa Branca divulgará uma versão resumida do relatório preliminar da revisão em andamento nos próximos dias.

"Deixei claro hoje para minha equipe que quero que as revisões iniciais terminem nesta semana", apontou.

"Quero recomendações específicas para ações corretivas, para solucionar o que não funcionou", acrescentou Obama, ao pedir que "essas reformas sejam implantadas de forma imediata para que o ocorrido não se repita" e que ataques futuros sejam evitados.

"Temos que melhorar e melhoraremos, e temos que fazê-lo rapidamente", afirmou.

O presidente americano mencionou que anunciará nos próximos dias medidas de segurança adicionais às já adotadas e que incluem a inspeção exaustiva de cidadãos de 14 países, entre eles Iêmen, Nigéria e Arábia Saudita.

Entre os presentes ao encontro de hoje estavam a secretária de Estado, Hillary Clinton; o secretário de Defesa, Robert Gates; o procurador-geral dos EUA, Eric Holder; e os diretores da CIA (agência de Inteligência dos EUA), Leon Panetta, e do FBI (Polícia federal americana), Robert Müller.

O diretor de Inteligência, Dennis Blair, o titular do Centro Nacional Contra o Terrorismo, Michael Leiter, e o assessor de segurança nacional da Casa Branca, James Jones, também compareceram.

A eles se somaram, entre outros, Napolitano e Brennan.

Obama reiterou sua intenção de fechar a prisão da base de Guantánamo, em Cuba, mas lembrou, em linha com o antecipado pelo porta-voz presidencial, Robert Gibbs, que o envio de presos iemenitas para seu país de origem será suspenso temporariamente.

O presidente americano atribuiu o planejamento do atentado fracassado a uma ramificação da rede terrorista Al Qaeda no Iêmen.

Há atualmente em Guantánamo cerca de 90 presos iemenitas. Cerca de metade seria levada para o país de origem. EFE tb/bba

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