CAIRO - Em seu esperado discurso ao mundo muçulmano nesta quinta-feira, na Universidade do Cairo, no Egito, Obama afirmou que a situação atual do povo palestino é intolerável. A América não irá virar as costas para as legítimas aspirações palestinas por dignidade, oportunidade e um Estado próprio, disse.

Segundo Obama, a "única solução para o conflito no Oriente Médio é a coexistência de dois Estados, o israelense e o palestino, onde os dois povos vivam em paz e segurança".

O presidente americano destacou o "vínculo" dos Estados Unidos com Israel, mas pediu o fim da colonização israelense em territórios israelenses. "Os fortes vínculos dos Estados Unidos com Israel são bem conhecidos. Este vínculo não vai quebrar, declarou Obama no discurso na Universidade do Cairo.

No entanto, Obama afirmou que os "Estados Unidos não aceitam a legitimidade e o prosseguimento da colonização israelense", que "viola os acordos assinados e prejudica os esforços de paz". "É hora da colonização cessar", insistiu Obama.

Obama também comentou o sofrimento do povo judeu durante séculos e o Holocausto, além de ter afirmado que a negação do genocídio nazista tem sido um sinal de "baixeza, ignorância e grande ódio".

"Ameaçar Israel com a destruição ou repetindo estereótipos infames sobre os judeus é um profundo erro e serve apenas para evocar na mente dos israelenses a maior dor que lembram, enquanto impede a paz que as pessoas da região merecem", insistiu.


Barack Obama discursa no Egito / Reuters

"Novo começo" com o mundo muçulmano

Obama afirmou que "o ciclo de suspeita e discórdia" nas relações entre os Estados Unidos e o mundo muçulmano deve acabar. O presidente dos EUA ofereceu em troca "um novo começo", baseado nos interesses e no respeito mútuos.

"Vim buscar um novo começo entre os Estados Unidos e os muçulmanos através do mundo, um começo baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo, um começo baseado nesta verdade de que os Estados Unidos e o islã não se excluem", afirmou Obama.

"Enquanto nossas relações forem definidas por nossas divergências, daremos o poder aos que espalham o ódio antes da paz, aos que promovem o conflito ao invés da cooperação", declarou Obama na Universidade do Cairo.

11 de setembro

O presidente americano citou os ataques de 11 de setembro de 2001 como um exemplo da exploração dessas tensões e diz que ela somente trouxe mais medo e desconfiança.

"Enquanto nossas relações forem definidas por nossas diferenças, vamos fortalecer aqueles que semeiam o ódio no lugar da paz e que promovem o conflito no lugar da cooperação que poderia ajudar todos os nossos povos alcançarem a Justiça e a prosperidade. Este ciclo de suspeitas e discórdia precisa acabar", afirmou.

Citando um trecho do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, o presidente americano declarou reconhecer que não é possível haver uma mudança nas relações do dia para a noite, mas prometeu fazer esforços para o diálogo e o respeito mútuo.

Segundo ele, sua convicção de que os Estados Unidos e o mundo islâmico podem viver em harmonia advém de sua experiência pessoal, como descendente de uma família queniana que incluía gerações de muçulmanos, além de ter passado parte da infância na Indonésia, o maior país islâmico do mundo.

Luta contra o extremismo

O presidente dos EUA prometeu que seu país enfrentará "sem descanso os extremistas violentos que representarem uma ameaça grave" à segurança de seu país.

Obama afirmou que enfrentará o extremismo de forma "respeitosa à soberania das nações e ao estado de direito", e em colaboração com as comunidades muçulmanas que também forem ameaçadas.

O presidente americano comentou que durante sua passagem pela Turquia deixou claro que "os Estados Unidos não estão - nem nunca estarão - em guerra contra o Islã", mas que o país confrontará sem descanso "os extremistas que representam uma ameaça grave à nossa própria segurança".

Giro pelo Oriente Médio

O discurso de Obama na Universidade do Cairo, capital egípcia, era esperado como o ponto alto de seu giro pelo Oriente Médio, que tem o objetivo de tentar reduzir as tensões entre seu país e os países árabes ou islâmicos. Ele já havia se reunido pela manhã com o presidente egípcio, Hosni Mubarak .

Assista ao vídeo com trechos do discurso:

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* Com AFP e EFE

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