Obama reconhece que EUA não estão vencendo guerra no Afeganistão

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reconheceu neste sábado que o país não está vencendo a guerra no Afeganistão, e disse que considera estender a mão a elementos moderados dos talibãs na nação, assim como aconteceu com as milícias sunitas no Iraque.

EFE |

Em entrevista publicada na edição digital do jornal "The New York Times", Obama afirmou que os EUA foram bem-sucedidos ao separar os insurgentes iraquianos dos elementos mais radicais da Al-Qaeda na região.

"Pode haver oportunidades comparáveis no Afeganistão e no Paquistão", disse Obama, para quem as soluções no país são complicadas.

O presidente americano, que, em fevereiro, ordenou o envio de 17 mil soldados adicionais ao Afeganistão, respondeu com um forte "não" à pergunta sobre se os EUA estão vencendo a guerra no país.

Durante a campanha eleitoral, o líder disse que seria preciso explorar a possibilidade de estender as mãos a alguns elementos dos talibãs, uma ideia proposta por certos militares.

O presidente americano afirmou neste sábado que a reconciliação poderia ser uma iniciativa importante, semelhante às táticas empregadas pelo general David H. Petraeus no Iraque.

"Acho que (Petraeus) afirmaria que parte do sucesso no Iraque foi devido ao ato de estender a mão a pessoas que ele via como fundamentalistas islâmicos, mas que estavam dispostos a trabalhar conosco, porque tinham sido completamente alienados pelas táticas da Al-Qaeda no país", afirmou Obama.

De qualquer forma, ele previu que essa potencial aproximação poderia não ter os mesmos resultados, já que a situação no Afeganistão é mais complicada que no Iraque.

"É uma região menos governada, uma história de feroz independência entre as tribos", afirmou, e acrescentou que há múltiplos clãs que, em algumas ocasiões, têm objetivos diferentes. "Entender tudo isso vai ser um desafio muito maior", explicou.

Na entrevista, Obama também deixou aberta a possibilidade de que os Estados Unidos decidam deter suspeitos de terrorismo no exterior, inclusive sem a cooperação do país no qual estes se encontrarem.

"Poderia haver situações, e insisto no 'poderia', nas quais, digamos, temos um conhecido membro da Al-Qaeda que não aparece frequentemente e surge em um terceiro país com o qual não temos uma relação de extradição ou não está disposto a persegui-lo, mas nós achamos que é muito perigoso", afirmou o presidente. Ele acrescentou que sua administração ainda tem que determinar como proceder nesse tipo de situação.

Em referência à crise econômica no país, mencionou que o final ainda não está próximo, e sugeriu, em linha com o colocado em sua proposta orçamentária, que poderiam ser necessários US$ 750 bilhões adicionais para ajudar as frágeis instituições financeiras nos EUA.

Por outro lado, pediu "prudência" aos americanos na hora de tomar decisões financeiras, mas ressaltou que eles não devem guardar tanto dinheiro debaixo do colchão, pois isso pode prejudicar ainda mais a recuperação.

"Nossa crença e expectativa é que levantaremos todos os pilares para a recuperação este ano", afirmou, mas não quis fazer previsões sobre quando começará a esperada recuperação.

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