Obama recebe Mubarak e mostra otimismo em relação à paz no O.Médio

Céline Aemisegger. Washington, 18 ago (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mostrou-se hoje animado com os passos dados por palestinos e israelenses para retomar as negociações de paz, enquanto o chefe de Estado egípcio, Hosni Mubarak, pediu para evitar soluções temporárias.

EFE |

Obama recebeu Mubarak hoje na Casa Branca pela primeira vez desde que assumiu a Presidência dos EUA, em janeiro passado.

O presidente americano já tinha se encontrado com o líder egípcio no Cairo, quando pronunciou seu discurso dirigido ao mundo muçulmano, e em julho, em L'Aquila (Itália), durante a cúpula do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais desenvolvidos e a Rússia).

Mubarak tinha se afastado de Washington nos últimos anos do mandato do ex-presidente George W. Bush, que se concentrou em promover a democracia no Oriente Médio e criticou duramente a situação dos direitos humanos no Egito.

O conflito no Oriente Médio liga os dois países, e o Egito é visto como um líder-chave para propiciar um ambiente adequado que leve palestinos e israelenses novamente à mesa de negociações.

Neste contexto, as perspectivas de paz no Oriente Médio abrangeram grande parte da conversa entre os líderes na Casa Branca.

Embora os dois concordem com que o clima leva a crer que há possibilidade de acordo, ficou evidente que o Egito, assim como outros Estados árabes, condiciona a normalização de suas relações com Israel a que este país dê passos concretos, como o bloqueio definitivo dos assentamentos dos colonos.

Em um comparecimento junto a Mubarak, Obama se mostrou "animado" com os avanços de palestinos e israelenses para criar um clima que permita retomar as negociações de paz e avançar para um acordo integral definitivo.

O presidente dos EUA se referiu ao levantamento ocasional de postos de controle na Cisjordânia, a maior atividade econômica nesse território e as melhoras significativas registradas nas forças de segurança da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Neste sentido, qualificou como um "movimento na direção adequada" o fato de que o Governo israelense não tenha empreendido iniciativas para construir nas colônias judaicas, disse hoje o ministro de Habitação israelense, Ariel Atias.

Os Estados Unidos exigiram a Israel que congele sua atividade de construção de assentamentos judaicos em território palestino.

O presidente considerou que o Governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, "levou muito a sério as conversas conosco (sobre este assunto)".

No entanto, Obama insistiu em que espera sinais não apenas de Israel, mas também dos palestinos, em torno dos assuntos relacionados com a segurança e a incitação à violência, assim como dos vizinhos árabes.

"Se todas as partes estiverem dispostas a romper com a dinâmica na qual estamos atualmente, então acho que haverá uma oportunidade extraordinária para um progresso real", disse.

No entanto, "ainda não chegamos a este ponto", advertiu Obama, que enviará na próxima semana seu enviado especial para o Oriente Médio, George Mitchell, novamente à região.

O Egito, que foi o primeiro Estado árabe a assinar, em 1979, um tratado de paz com Israel, considera que, com a cooperação dos Estados Unidos, a região pode conseguir uma solução para o conflito.

"Os árabes querem paz e querem uma vida melhor. E os israelenses também querem paz e estabilidade em suas vidas", disse Mubarak.

No entanto, insistiu em que os países árabes só darão sinais significativos de apoio depois que as negociações tiverem começado.

"Se as negociações começarem, isso levará os Estados árabes a apoiarem o processo de paz e levá-lo adiante", afirmou.

Por isso, ressaltou que é necessário "encontrar uma solução sobre o status final", e evitar "soluções temporárias" ou "fronteiras temporárias", disse.

"Não podemos perder mais tempo, porque a violência aumentará.

Aumentou", disse Mubarak.

Depois da reunião, um porta-voz de Mubarak revelou que Obama tinha expressado sua esperança de que seu plano de paz para o Oriente Médio esteja pronto em setembro, possivelmente em torno do debate da Assembleia Geral da ONU. EFE cae/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG