Obama recebe ex-adversário McCain em mais um sinal de seu desejo de união

O próximo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebe nesta segunda-feira o ex-adversário John McCain, em mais um sinal de seu desejo de união depois do encontro com Hillary Clinton, contra quem conquistara a indicação democrata à Casa Branca.

AFP |

Após vários meses de campanha marcada por duras trocas de acusações, o veterano republicano John McCain, 72 anos, se apresentou nesta segunda-feira em Chicago (Illinois, norte dos EUA) diante do homem que o derrotou de forma categórica no dia 4 de novembro passado.

"Já se sabe que ambos compartilham a convicção de que os americanos querem, e desejam, um governo mais eficiente, e eles vão conversar sobre as diferentes formas de trabalhar juntos neste sentido", destacou a equipe de transição de Obama em comunicado.

Os dois homens devem conversar durante uma hora.

Tais reuniões entre o vencedor da eleição presidencial e seu adversário são raríssimas nos Estados Unidos.

Desde a eleição, Obama nunca escondeu a intenção de convidar personalidades republicanas a integrarem seu governo.

O presidente eleito gosta de se comparar neste sentido ao ex-presidente republicano Abraham Lincoln, que se esforçou, a partir de 1861, para manter a unidade do país, durante uma sangrenta guerra civil marcada pelo confronto entre Norte e Sul.

Entretanto, segundo uma fonte próxima à equipe de transição, o presidente eleito não chegará a oferecer um cargo de ministro a McCain.

O senador de Arizona, que manteve durante a campanha uma postura de "franco-atirador" criticando os desvios da politicagem em Washington, é famoso por não duvidar em quebrar as barreiras partidárias e votar junto com os democratas no Senado, se o considerar necessário.

Porém, um de seus principais conselheiros, citado nesta segunda-feira pelo Wall Street Journal, frisou que ele vai aproveitar a reunião com Obama para tentar convencer o ex-adversário democrata a não precipitar a retirada das tropas americanas do Iraque.

O veterano da guerra do Vietnã é contrário a uma retirada precipitada do país árabe, que teria para ele um sabor de derrota.

Domingo, em declarações à rede CBS, Obama insistiu na necessidade de instalar rapidamente sua equipe de segurança nacional, lembrando que o país está mais vulnerável a eventuais ataques terroristas neste período de transição.

Obama e McCain se enfrentaram duramente sobre esta questão da segurança nacional durante a campanha. Os republicanos - e principalmente a candidata à vice-presidência, Sarah Palin - acusaram Obama de "conivência com os terroristas", lembrando as relações passadas do presidente eleito com o ex-militante de esquerda William Ayers.

De acordo com associações e especialistas, Obama também pode aproveitar a reunião para consultar McCain sobre a melhor maneira de fechar o campo de detenção de Guantánamo.

Dois universitários de Berkeley (Califórnia, oeste dos EUA) pediram quarta-feira à nova administração que nomeasse "uma comissão independente e neutra" para determinar as responsabilidades do governo Bush nos excessos da luta contra o terrorismo, como as detenções arbitrárias e sem julgamento, a tortura ou os grampos ilegais.

McCain, que passou cinco anos nas prisões norte-vietnamitas, onde foi torturado, seria um candidato interessante à presidência desta comissão.

Obama se encontrou quinta-feira com Hillary Clinton, sua adversária nas primárias democratas. O teor da conversa não foi revelado, mas o presidente eleito não desmentiu os rumores segundo os quais a ex-primeira-dama assumiria o cargo de secretária do Estado no novo governo norte-americano.

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