Obama reaproxima EUA da Europa e promete superar desafios juntos

Estrasburgo (França), 3 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estabeleceu hoje um novo estilo nas relações transatlânticas após as divergências e a desconfiança geradas nos primeiros anos do Governo de George W.

EFE |

Bush.

EUA e Europa podem superar os desafios do século XXI, mas devem "fazer isso juntos", e onde essa necessidade está mais clara, disse Obama, é no conflito no Afeganistão, que será a "prova" da capacidade da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de se reestruturar e se adaptar às novas necessidades.

Obama discursou para cerca de 3.500 pessoas, em sua maioria estudantes alemães e franceses, antes do começo da cúpula com a qual a Otan comemora seu 60º aniversário, em Estrasburgo, na França, e em Kehl, na Alemanha.

Pela manhã, o presidente americano tinha se reunido com o governante francês, Nicolas Sarkozy e, após o encontro com os jovens, conversou com a chanceler alemã, Angela Merkel, para propagar uma mesma mensagem: o início de uma nova era nas relações entre seu país e a Europa.

"Vim à Europa esta semana para renovar nossa aliança", afirmou Obama no encontro no ginásio esportivo Rhenus com os jovens, que o receberam calorosamente.

Ele advertiu, no entanto, que os "EUA estão mudando, mas não podem ser só EUA que mudem".

A Europa caiu na complacência e frequentemente acusou os EUA de tudo que acontece de ruim no mundo, afirmou, apesar de ter admitido que, em algumas ocasiões, os Estados Unidos se comportaram de forma arrogante e demonstraram desprezo por seus aliados do outro lado do Atlântico.

Obama propôs uma nova estratégia para o Afeganistão, dentro da qual planeja enviar 21 mil soldados adicionais nos próximos meses ao país para reforçar os cerca de 36 mil que já estão na nação.

O presidente americano também pedirá nesta cúpula a seus aliados para aumentarem suas contribuições, seja de tropas ou econômicas ou para treinar as forças afegãs.

Os dois países anfitriões da cúpula responderam com entusiasmo às propostas americanas.

A nova estratégia "coincide com o que nós queremos": um forte componente civil, para a ajuda ao desenvolvimento, e prioriza a formação das forças afegãs para que assumam sua própria segurança, afirmou a chanceler alemã.

Anteriormente, o presidente francês também tinha declarado seu apoio ao plano de Obama.

O Governo francês, afirmou Sarkozy, está disposto a enviar não tropas - já aumentou seu contingente no ano passado -, mas sim gendarmes (agentes militarizados) para contribuir à formação da Polícia afegã e uma ajuda econômica ao fundo que arca com os custos das forças de segurança do país.

Se em suas declarações conjuntas com Merkel Obama mostrou um cansaço visível - é o terceiro dia de uma intensa viagem pela Europa -, em sua reunião com Sarkozy estava aparentemente mais relaxado.

O presidente francês e sua esposa, Carla Bruni, usando um sobretudo cinza, receberam com beijos e sorrisos Obama e a mulher, Michelle - com um sobretudo preto com detalhes rosas -, no palácio Rohan, de Estrasburgo.

Após se reunir com o governante americano, o presidente francês assegurou que "confia" em Obama e, como gesto de boa vontade, disse que aceitará um dos presos de Guantánamo que os EUA querem enviar a terceiros países após o fechamento da prisão na base militar em Cuba.

Por sua vez, o líder americano elogiou a "iniciativa, imaginação e criatividade" do presidente francês e aprovou a decisão da França de se reintegrar na estrutura militar da Otan.

Obama também pediu a seus aliados europeus para potenciar sua capacidade militar. "Quanto mais capacidade a Europa tiver, mais contente os Estados Unidos estarão e melhor poderemos coordenar nossas atividades", destacou Obama.

O presidente americano também dedicou atenção às relações com a Rússia, outro dos assuntos que serão debatidos na cúpula. "Queremos enviar uma mensagem muito clara de que queremos tratar com eles, mas não podemos voltar aos modos antigos", afirmou Obama, que reconheceu "diferenças fundamentais" com Moscou.

Obama também fez advertências à Coreia do Norte, que ameaça lançar neste sábado o que afirma ser um satélite de comunicações e que os EUA acreditam que é um míssil balístico.

Pyongyang, assegurou, "não pode ameaçar a segurança de outros países impunemente". EFE mv/db

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