Obama quer uma Rússia forte, mas democrática

O presidente Barack Obama estendeu a mão nesta terça-feira a uma Rússia que os Estados Unidos desejam forte, mas democrática, em um discurso no qual traçou sua visão das relações entre os antigos adversários da Guerra Fria, em sua primeira visita a Moscou.

AFP |

Em um discurso dirigido aos russos - depois da mensagem de segunda-feira aos governantes -, Obama defendeu mudanças nas relações Rússia-EUA, sem esconder que isto será difícil.

"Não será fácil. Criar uma cooperação duradoura entre ex-rivais, mudar costumes ancorados em nosso governos durante décadas, é difícil", reconheceu diante de 1.500 estudantes da Nova Escola Econômica de Moscou, onde se forma parte das futura elite russa.

"Mas a época em que os impérios podiam manipular Estados soberanos como peças de xadrez acabou", reiterou Obama no discurso mais aguardado de sua primeira visita a Rússia desde que chegou à Casa Branca.

A visita tem como objetivo suavizar a tensão entre Washington e Moscou surgida durante os últimos anos da presidência de George W. Bush, que reviveram a rivalidade entre as duas potências durante a Guerra Fria.

Diante dos representantes do que chamou de "última geração nascida quando o mundo estava dividido", Obama expôs sua visão das futuras relações entre os Estados Unidos e uma Rússia que Washington deseja forte, mas democrática.

"Que as coisas fiquem claras desde o princípio: os Estados Unidos querem uma Rússia forte, pacífica e próspera", completou no discurso sobre sua visão do mundo, que segue a linha dos já pronunciados em Praga (sobre a proliferação) e no Cairo (dirigido ao mundo muçulmano).

"Estes desafios exigem uma cooperação mundial, que será mais forte se a Rússia ocupar o espaço de grande potência que lhe corresponde".

Os países ocidentais criticaram várias vezes a Rússia pela falta de respeito às liberdades democráticas nos oito anos de presidência de Vladimir Putin e também durante o atual mandato do presidente imitri Medvedev.

"A história nos mostra que os governos que estão a serviço do povo sobrevivem e prosperam e os governos que estão a serviço apenas de sua própria força, não", declarou Obama.

"Em nossa própria história, a democracia tem sido o aliado mais duradouro dos Estados Unidos, nação que hoje vive com grande segurança e prosperidade".

Obama também citou a corrupção, considerada um dos principais problemas da Rússia pós-soviética e que Medvedev prometeu combater.

"Em todo o mundo, as pessoas deveriam ter direito de fazer negócios ou receber uma educação sem pagar subornos", disse o presidente americano, antes de ressaltar que esta "não é uma ideia americana ou russa: é como as pessoas e os países triunfarão no século XXI".

Obama também pediu a Moscou que se una ao esforço de Washington diante dos desafios nucleares representados por Irã e Coreia do Norte.

"Nem Estados Unidos, nem Rússia seriam beneficiados por uma corrida armamentista nuclear no leste da Ásia ou no Oriente Médio".

Também reiterou a posição americana de que a Rússia deve respeitar a soberania de Geórgia e Ucrânia, dois aliados dos Estados Unidos que desejam aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"A soberania dos Estados é a pedra angular da ordem internacional", disse.

"Todo sistema que abandona tais direitos leva à anarquia. É por isto que este princípio deve ser aplicado a todos os países, incluindo Geórgia e Ucrânia", afirmou, antes de ressaltar que "a ideia de esferas de influência pertenceu ao século XIX".

O presidente americano também citou o importante poeta russo Alexander Pushkin e homenageou os sacrifícios do país na luta contra o fascismo na Segunda Guerra Mundial.

Antes do discurso, Obama se reuniu pela primeira vez com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin.

Obama elogiou em Novo Ogarevo, região de Moscou, o trabalho de Vladimir Putin no Kremlin e, desde maio de 2008, como premier, além de admitir que os dois países não concordam em tudo.

"Tenho consciência do trabalho extraordinário que realizou como presidente nos últimos anos e em seu atual cargo de primeiro-ministro", declarou em um café da manhã na residência de Putin de Novo Ogarevo, depois de ter qualificado o ex-presidente em uma entrevista de homem do passado.

"Temos uma excelente oportunidade de estabelecer bases mais sólidas nas relações russo-americanas. Não estamos, talvez, de acordo em tudo, mas mantemos consultas respondendo ao interesse do povo russo e do povo americano", completou.

Vladimir Putin se mostrou cordial, ao destacar que conta com Obama para a retomada das relações Rússia-EUA.

"Associamos seu nome à esperança do desenvolvimento de nossas relações", disse Putin.

O presidente dos Estados Unidos deve se encontrar ainda com o ex-líder soviético Mikhail Gorbachov, assim como com vários líderes opositores, entre eles o ex-campeão mundial de xadrez Garry Kasparov.

Na segunda-feira, Obama se reuniu com Medvedev. Os dois anunciaram um acordo para a redução dos arsenais nucleares e a passagem pelo espaço aéreo da Rússia das tropas americanas e material militar dirigidos ao Afeganistão.

bur-sjw/fp

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