Obama quer transição fluente, mas problemas já batem em sua porta

Teresa Bouza. Washington, 12 nov (EFE).- O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, no qual quase sete de cada dez americanos dizem ter grandes esperanças, quer realizar uma transição fluente, mas os problemas começaram já a bater em sua porta.

EFE |

Sua equipe de transição, que empregará 450 pessoas entre agora e a cerimônia de posse de 20 de janeiro, mantém hoje sua primeira reunião para acelerar o processo de nomeações e traçar as diretrizes que marquem um novo rumo para o país.

Hoje mesmo se soube que o prestigioso ex-senador democrata Sam Nunn assessorará Obama informalmente em assuntos de defesa e segurança, equipe que, junto com a econômica, amais cedo quer definir o próximo ocupante da Casa Branca.

O presidente eleito também nomeou Warren Christopher, quem foi chefe da diplomacia americana durante a administração de Bill Clinton, para dirigir a transição no Departamento de Estado.

Nunn e Christopher trabalharão com a atual administração para que a transição seja fluente nestes departamentos-chave, em momentos em que os Estados Unidos estão imersos em duas guerras e tem situações diplomáticas complicadas com países como Irã, Rússia e Coréia do Norte.

Faltando nomeações e decisões, porém, já começaram os pronunciamentos e as críticas.

Os bispos, reunidos esta semana em Baltimore por ocasião de sua conferência semestral, prometeram ontem uma oposição implacável contra a próxima administração democrata por sua defesa do direito ao aborto.

Os ativistas anti-bélicos, como o grupo Codepink, advertiram que manter a Robert Gates à frente do Pentágono, uma possibilidade que, segundo vazou nos últimos dias, se cogita seriamente, violaria a promessa de mudança que Obama representa.

Influentes congressistas democratas também se opõem a que Obama mantenha em seus postos o Diretor Nacional de Inteligência, Mike McConnell, e o diretor da CIA, Michael Hayden, segundo publica hoje o jornal "The Washington Post", que espera que ambos os altos funcionários percam seus cargos.

Das fileiras republicanas, o presidente George W. Bush prometeu uma estreita colaboração com a equipe de transição de Obama, mas os primeiros atritos são já evidentes.

Altos funcionários não identificados citados ontem pela imprensa americana asseguraram que existia raiva na Casa Branca depois que assessores próximos a Obama vazaram de forma anônima parte do conteúdo da conversa privada de segunda-feira entre o senador democrata e Bush.

A porta-voz da residência oficial, Dana Perino, não quis confirmar se existia "irritação" por causa do vazamento.

"Não vão escutar isso de mim", disse Perino, lamentando que, em sintonia com o que veio ocorrendo nos últimos oito anos, haja muitos que se fiem no anonimato para fazer vazamentos, em vez de dizer o que pensam abertamente.

Apesar do espírito de colaboração da Casa Branca, alguns legisladores republicanos, como Paul Broun, parecem dispostos a ressuscitar os temas mais espinhosos da campanha, ao referir-se esta semana ao futuro governante como "marxista".

Os comentaristas mais conservadores, como Rush Limbaugh e Ann Coulter, também querem manter a chama acesa, dizendo que Obama deve estar encantado porque agora pode voltar a aparecer em público com Bill Ayers (um radical durante os anos 60) e o reverendo Jeremiah Wright, do qual fase afastou por seus comentários incendiários.

Fora dos Estados Unidos, onde se celebrou em grande estilo a vitória de Obama, começam a surgir os sinais de que o próximo presidente -como não podia ser de outra forma- será incapaz de satisfazer a todos.

Os primeiros sinais de desencanto chegam do mundo árabe, que recebeu friamente a nomeação de Rahm Emanuel, o combativo chefe do grupo parlamentar democrata na Câmara de Representantes, como chefe de gabinete.

Nascido em Chicago em 1959, Emanuel é filho de um devoto sionista israelense de origem russa e serviu como voluntário civil no Exército de Israel durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991.

"Para os milhões de árabes que expressaram júbilo pela monumental vitória de Obama, a nomeação (de Emanuel) aguou uma curta festa", escreveu na quarta-feira o comentarista Osama al-Sharif no jornal "Arab News".

Pontos de vista semelhantes expressaram nos últimos dias outras publicações do mundo árabe, como o diário marroquino "Al Massa".

No Irã, a publicação em língua inglesa "Kayhan International" descreveu o congressista judeu de Illinois como "um sionista com vínculos familiares profundos com Israel". EFE tb/jp

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