O presidente Barack Obama quer transformar sua reunião em torno de uma cerveja com os atores da primeira polêmica racial de sua presidência, prevista para a noite desta quinta-feira, em exemplo de diálogo.

Obama vai reunir hoje à noite no jardim da Casa Branca um eminente professor universitário negro e o policial branco que o prendeu.

Às 18H00 (19H00 de Brasília), serão servidas Bud Light (para Obama), Blue Moon (para o sargento James Crowley) e Red Stripe (para Henry Louis Gates Jr).

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, avisou que a reunião não tem como objetivo anunciar uma grande iniciativa contra o racismo, prestar esclarecimentos sobre o incidente de 16 de julho, ou obter um pedido de desculpas de qualquer um dos atores envolvidos na controvérsia.

"Não estamos aqui para incentivar qualquer uma das partes a pedir desculpas", declarou Gibbs.

"O presidente não tem um projeto formal para a reunião de hoje à noite. Nenhum projeto legislativo acompanhará este encontro. Depois de ter conversado por telefone com estes dois homens bons e honestos, ele só espera que sua iniciativa favorecerá o diálogo entre ambos", explicou.

A "cúpula da cerveja" vai reunir os três atores de uma polêmica provocada por um incidente que nunca teria atingido tais proporções se o principal protagonista não fosse um amigo de longa data do presidente e se Obama não tivesse, diante de milhões de telespectadores, qualificado de "estúpida" a atitude do sargento Crowley.

As circunstâncias da detenção do professor Gates ainda não foram totalmente esclarecidas. Em 16 de julho, o especialista em estudos afro-americanos da Universidade de Harvard foi detido na casa dele depois de arrombar sua porta, por não encontrar suas chaves. A polícia da pequena cidade de Cambridge (Massachusetts, nordeste dos EUA), foi acionada por uma vizinha, que denunciou a possibilidade de um assalto. Gates afirma que nunca teria sido tratado desta forma se não fosse negro. Crowley, por sua vez, diz ter sido xingado e acusado de racismo.

Diante da polêmica provocada por suas declarações, Obama admitiu que errou ao tachar de "estúpida" a intervenção do policial. Ele ligou para os dois homens, e surgiu a ideia de um encontro.

De acordo com Gibbs, o objetivo da reunião é mostrar que "é possível não concordar um com o outro sem ser desagradável".

lal/yw

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