Obama quer reformar sistema de saúde arruinado e ineficiente

O presidente Barack Obama demonstrou, nesta quinta-feira, confiar no sucesso da reforma - politicamente arriscada - de um sistema de saúde que custa muito caro aos cofres públicos e exclui milhões de americanos.

Redação com AFP |


Reuters

Obama fala durante fórum sobre reforma no sistema de saúde, na Casa Branca

Obama apresentou esta reforma como uma necessidade tanto social como financeira, em um período de grave crise econômica, ao abrir nesta quinta-feira na Casa Branca uma reunião da qual participaram cerca de 150 pacientes, médicos, parlamentares, especialistas e funcionários da saúde.

"A reforma do sistema da saúde não é apenas um imperativo moral, é também um imperativo financeiro. Se quisermos criar empregos, reconstruir nossa economia e controlar nosso orçamento federal, temos de diminuir o custo exorbitante do sistema de saúde este ano, durante este governo", declarou Obama.

O presidente lembrou que 46 milhões de americanos estão desprovidos de cobertura médica. Os custos relacionados à saúde levam uma família americana a se declarar em estado de falência pessoal a cada 30 segundos, afirmou.

Além disso, o sistema americano de saúde, financiado por fundos públicos e privados, também custa muito caro aos cofres públicos e "derruba nossas empresas".

"Trata-se de uma das mais graves ameaças aos próprios fundamentos da economia", afirmou.

Barack Obama pretende cumprir duas grandes promessas: a de dar uma cobertura médica a todos os americanos e a de reduzir pela metade um gigantesco déficit público em um período de quatro anos.

Obama admitiu a dificuldade de uma tarefa que a administração Clinton não conseguiu cumprir nos anos 90. Ele se referiu a este fracasso ao criticar os "interesses particulares", ou seja, todos os grupos de pressão e a indústria, que impediram a aplicação da reforma naquela época.

"Hoje a situação é diferente", sentenciou o presidente, que tem, por enquanto, o apoio quase incondicional da opinião pública.

Obama destacou que todos os atores do setor da saúde, tanto pacientes e médicos como sindicatos, empresas e seguradores, defendem a necessidade de uma reforma.

"Desta vez, o debate não é saber se todos os americanos deveriam poder contar com uma cobertura médica de qualidade, mas de saber como alcançar esta meta. O objetivo desta reunião é começar a responder a esta pergunta, e nosso objetivo é finalizar antes do fim deste ano uma reforma do sistema de saúde que beneficie a todos os americanos", declarou.

O governo quer tirar as lições do fracasso sofrido pela administração Clinton. É por isso que começou a trabalhar na reforma logo no início da presidência abrindo um grande debate entre todas as partes envolvidas, em vez de apresentar um projeto pronto depois de vários meses, como fizera a então primeira-dama Hillary Clinton, atual secretária de Estado.

Obama designou nesta semana uma nova secretária da Saúde, Kathleen Sebelius, e criou um cargo de alto nível para o encarregado da reforma, Nancy Ann DeParle, ex-integrante do governo Clinton.

Nesta quinta-feira, o presidente se limitou a apresentar os grandes princípios de uma reforma. "Não haverá tabus nesta discussão, e o status quo é a única opção que não está na mesa. Os que buscam bloquear a reforma a qualquer custo não vencerão desta vez", garantiu.


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