Por Matt Spetalnick WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos EUA, Barack Obama, propôs na quinta-feira que Israel, os palestinos e os Estados árabes ajam simultaneamente pela retomada das negociações de paz na região.

Sua meta é superar a profunda discordância entre israelenses e árabes sobre qual lado deve oferecer os primeiros gestos conciliatórios. A Casa Branca apresentou a ideia, sem detalhes, ao anunciar que Obama conversara por telefone com o rei Abdullah, da Jordânia, e "concordou com a necessidade de lançar as negociações israelo-palestinas assim que possível".

"Eles também concordaram que todas as partes - Israel, os palestinos e os Estados árabes - deveriam dar passos simultaneamente para criar um contexto em que essas negociações possam ter sucesso", disse o porta-voz de Obama, Robert Gibbs, a jornalistas.

Na terça-feira, após receber na Casa Branca o presidente egípcio, Hosni Mubarak, Obama disse que havia visto progressos na espinhosa questão da ampliação dos assentamentos judaicos em territórios ocupados.

Obama se disse encorajado por saber que o governo de Israel não havia dado aprovação definitiva para novos projetos habitacionais na Cisjordânia desde a posse do primeiro-ministro direitista Benjamin Netanyahu, há cinco meses.

Embora Netanyahu pareça estar tentando agradar Washington, a entidade israelense Peace Now, contrária à existência dos assentamentos, disse que continuam as obras para a construção de mil novas casas para colonos.

Netanyahu rejeita a proposta de Obama para um congelamento total dos assentamentos, e o impasse cria a pior divergência entre os dois governos em uma década. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, afirma que não retomará o processo de paz se a ampliação dos assentamentos não parar.

Os Estados árabes resistem aos apelos de Obama para fazerem gestos que denotem uma boa vontade com Israel. Ao invés disso, querem que o Estado judeu tome a iniciativa. Já Israel afirma que é preciso um empenho inicial dos palestinos e dos demais árabes.

Obama promete fazer da paz no Oriente Médio uma prioridade sua, ao contrário do que ocorreu no governo de George W. Bush, que fez esforços apenas intermitentes nesse sentido. A eleição de um governo direitista radical e as divergências internas entre os palestinos, no entanto, complicam os esforços de Obama.

A Casa Branca disse que Obama enviará à região seu representante George Mitchell para "acompanhar as partes nas próximas semanas a fim de finalizar os passos que tomariam e abrir terreno para a retomada das negociações".

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