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Obama propõe nova cooperação com Rússia forte, pacífica e próspera

Macarena Vidal. Moscou, 7 jul (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, relatou hoje como percebe a relação de seu país com uma Rússia forte, pacífica e próspera, que coopere em âmbitos como o crescimento global e a luta contra a proliferação nuclear ou o programa armamentista iraniano.

EFE |

Em discurso na Nova Escola de Economia de Moscou, Obama - que está na capital russa para "reiniciar" as relações com este país, após anos de tensões - afirmou que os desafios deste século, como a segurança ou o acesso aos mercados, "demandam uma aliança global" que será mais poderosa "se a Rússia ocupar o lugar que lhe corresponde como grande potência".

O público, no qual estava o ex-líder soviético Mikhail Gorbachov, ouvia o presidente americano com atenção, mas quase sem os entusiasmados aplausos que interromperam discursos semelhantes de Obama em outros países.

A opinião pública russa se mostra majoritariamente cética em relação aos EUA e parte da missão que Obama tinha traçado nesta visita era justamente estender o "reinício" nas relações não só ao Governo, mas a toda a sociedade russa.

Os dois países, ressaltou Obama, "compartilham interesses comuns" que podem representar a base para a cooperação.

Entre eles, enumerou a luta contra a proliferação nuclear e, neste sentido, apontou o "mapa do caminho" assinado na segunda-feira com o presidente russo, Dmitri Medvedev, para um tratado de redução de armamento nuclear.

Nem a Rússia nem os EUA se beneficiariam de uma corrida armamentista na Ásia ou no Oriente Médio, disse.

"Devemos estar unidos para nos opor aos esforços da Coreia do Norte em se transformar em uma potência nuclear e impedir que o Irã obtenha a arma atômica", afirmou Obama.

Se desaparecer a ameaça do programa nuclear e de mísseis balísticos iranianos, disse, "desaparecerá a razão para (um sistema) de defesa de mísseis na Europa".

Obama também fez uma chamada para a colaboração contra os extremistas violentos e na área econômica, onde afirmou que "nenhum país sozinho pode ser o único motor do crescimento global".

O presidente americano ressaltou também o interesse de seu país em "Governos democráticos que protejam os direitos de seu povo".

Em uma aparente alusão à redução gradual das liberdades na Rússia nos últimos anos, Obama elogiou o poder dos meios de comunicação independentes, que nos EUA "denunciaram corrupção em todos os níveis", e a igualdade perante a Justiça, que "derrubou monopólios e colocou fim a abusos de poder".

"Os Governos que atuam a favor de seu povo sobrevivem e prosperam, os que só servem a si mesmos, não", destacou Obama, ressaltando que os EUA "não buscarão impor nenhum sistema de Governo em nenhum outro país, nem tentaremos escolher que partido ou indivíduo deve estar à frente de um Estado".

Neste sentido, citou o caso de Honduras, onde os EUA apoiam o restabelecimento do presidente democraticamente eleito Manuel Zelaya, embora este líder tenha sido contrário à política americana.

Pela mesma razão, todos os países devem ter direito a fronteiras seguras e a seguir sua própria política externa, disse, em uma alusão específica à Geórgia e à Ucrânia, dois países da antiga União Soviética que querem entrar na Organização do Tratado do Atlântico norte (Otan), apesar da oposição russa.

"Este futuro pode parecer distante. A mudança é complicada", considerou Obama. Mas, ressaltou, "juntos podemos criar um mundo onde as pessoas estejam protegidas, a prosperidade cresça e o poder sirva de verdade para o progresso".

A Casa Branca tinha indicado que o de hoje era o terceiro de uma série de grandes discursos de Obama para delinear sua política externa, após os pronunciados em Praga, em abril, quando propôs um mundo sem armas nucleares, e no Cairo, no mês passado, quando colocou um novo começo nas relações com o mundo muçulmano.

Obama, que hoje se reuniu com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, em um café da manhã de trabalho, prevê continuar o dia hoje com reuniões com empresários e líderes da oposição russa, antes de viajar amanhã à Itália para a cúpula do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) em L'Aquila. EFE mv/an

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