O presidente americano, Barack Obama, garantiu nesta terça-feira que os Estados Unidos vão sair da atual crise econômica mais fortes do que nunca, em seu primeiro discurso no Congresso como chefe da nação, no qual também prometeu responsabilidade e austeridade nos gastos públicos.

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Obama adentrou o Congresso acompanhado pelo líder Democrata Harry Reid (à dir.)

"Hoje, eu quero que cada americano saiba disso: nós vamos reconstruir, nós vamos nos recuperar, e os Estados Unidos da América emergirão mais fortes do que antes", afirmou Obama, cujos trechos do discurso foram antecipados à imprensa pela Casa Branca.

"Aquelas qualidades que fizeram dos Estados Unidos a maior força do progresso e da prosperidade da história da humanidade ainda estão em nós em grande medida", disse o presidente.

"É necessário agora que este país se recomponha, enfrente com coragem os desafios que estão postos, e assuma a responsabilidade pelo nosso futuro mais uma vez".

Obama revelou que cortará dois trilhões de dólares em gastos do orçamento nos próximos dez anos, com o fim de programas obsoletos de armamentos da época da Guerra Fria, em um novo "dia de ajuste de contas" para a economia do país.

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Em discurso no Congresso, o presidente dos EUA defendeu as montadoras 
de Detroit: "o país que inventou automóvel não pode abandoná-lo"

"Vamos eliminar contratos sem licitação, que desperdiçaram bilhões de dólares no Iraque, e reformar nosso orçamento de Defesa para que paremos de pagar por sistemas de armamentos da época da Guerra Fria que não usamos".

Obama destacou que pediu sacrifícios a republicanos e democratas, e prometeu agir de forma "corajosa e sábia" para reativar a economia.

Segundo o presidente, seus assessores estão examinando o orçamento federal em busca de gastos dispensáveis, com o objetivo de reduzir o déficit do país (que deve chegar a 1,3 trilhão de dólares em 2009) pela metade até o fim de seu mandato.

"Já identificamos dois trilhões de dólares que poderão ser economizados ao longo da próxima década (...) Neste orçamento, acabaremos com programas educacionais que não funcionam e subsídios diretos para a ampliação do agronegócio, que não precisa deles".

Segundo Obama, os americanos já viveram tempo demais com uma mentalidade de recompensa em ganhos a curto prazo, em detrimento de uma prosperidade a longo prazo, "pois falhamos em ver além do próximo pagamento, da próxima quinzena, ou da próxima eleição".

"De modo geral, debates cruciais e decisões difíceis foram adiadas em troca de mais tempo para algum outro dia - bem, este dia de ajuste de contas chegou, e o tempo para assumir a responsabilidade pelo nosso futuro está aqui", declara Obama.

Apesar de apelar para o tom inspirador que marcou sua vitoriosa campanha eleitoral, Obama optou por uma abordagem mais sóbria, para não deixar dúvidas quanto ao ímpeto de seu governo em recuperar o país, custe o que custar.

A exposição de Obama ao Congresso, semelhante ao discurso do Estado da União, tradicionalmente proferido pelos presidentes no início do ano, é sua melhor oportunidade até agora para conquistar a confiança do país em sua política de reativação da economia.

Após um primeiro mês consagrado a promover um plano e medidas de emergência para combater a crise, e dois dias antes de apresentar seu primeiro orçamento, Obama reafirma sua política de austeridade em relação ao déficit.

Segundo pesquisa realizada pelo jornal The New York Times e pelo canal de televisão CBS, 55% dos americanos dizem ter dificuldade para equilibrar as contas no final do mês, enquanto 64% temem que algum membro de sua família perca o emprego durante este ano.

A maioria dos americanos pensa que levará anos para que esta crise seja superada, mas 68% aprovam as ações de Obama, como a adoção do plano de reativação econômica de 787 bilhões de dólares.

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