Obama promete sanções mais duras contra Irã após suposto complô

Em primeiro pronunciamento público sobre plano contra embaixador saudita, presidente diz que responsabilização é necessária

iG São Paulo |

Reuters
O presidente americano, Barack Obama, deu uma coletiva de imprensa ao lado de Lee Myung-bak, presidente da Coreia do Sul
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu nesta quinta-feira pedir "sanções mais duras" contra o Irã por conta do suposto plano para assassinar o embaixador saudita em Washington , e disse que seu país não descartaria nenhuma opção.

Obama, em seu primeiro pronunciamento público sobre a questão, disse que o incidente faz parte de um "padrão de comportamento perigoso e inconsequente" por parte do governo iraniano.

Ele declarou também que "indivíduos no governo iraniano" estavam cientes do suposto plano para assassinar o embaixador saudita em Washington, e que eles precisavam ser responsabilizados. "Não teríamos apresentado o caso a menos que soubéssemos exatamente como provar as afirmações contidas na denúncia", afirmou Obama

"Acreditamos que mesmo se nos cargos mais altos eles não tinham conhecimento sobre os detalhes operacionais, é necessário que haja responsabilização", disse Obama em coletiva de imprensa conjunta com o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, que está em visita oficial aos EUA.

O procurador-geral americano, Eric Holder, anunciou na terça-feira o suposto envolvimento de dois cidadãos iranianos acusados de planejar o assassinato do embaixador da Arábia Saudita, Adel Al-Jubeir, em meio a uma conspiração "concebida, organizada e dirigida" pelo Irã.

O Departamento de Justiça dos EUA acusou Manssor Arbabsiar, 56 anos, naturalizado americano; e Gholam Shakuri, membro da Guarda Revolucionária Iraniana de conspirar com setores do governo de Teerã para matar o embaixador em território americano, tarefa para a qual teriam contatado no México um suposto membro de um cartel de narcotraficantes, que na verdade era um agente americano disfarçado.

O suposto complô incluía detonar uma bomba em um restaurante que o diplomata frequentava.

O Irã convocou o embaixador da Suíça em Teerã , que representa os interesses dos EUA no país, para protestar contra acusações americanas sobre o suposto complô.

O presidente do Parlamento do Irã, Ali Larijani, disse que as acusações seriam "alegações fabricadas" decorrentes do fato de que "os EUA querem desviar a atenção dos problemas que eles enfrentam no Oriente Médio".

Representantes do governo americano pressionaram a comunidade internacional para impor novas sanções contra o Irã e aumentar o isolamento sofrido pelo país. Os americanos afirmam que a Guarda Revolucionária do Irã estaria envolvida na suposta trama.

Irã x Arábia Saudita

O presidente do Parlamento iraniano disse que as acusação americanas são desculpas que visam ''impedir a onda de despertar islâmica'' e disse que as alegações são ''jogos infantis e amadorísticos'' e ''vulgares''. Larijani acrescentou ainda que as acusações seriam uma forma de prejudicar a relação entre Irã e Arábia Saudita.

O príncipe saudita Turki al-Faisal, ex-embaixador em Washington, disse que as provas levantadas pelos EUA são "esmagadoras" e "provam a responsabilidade de um oficial iraniano". "Alguém no Irã terá de pagar o preço'', afirmou.

Irã e Arábia Saudita são rivais cujos regimes seguem diferentes leituras do islamismo e disputam uma posição de liderança no Oriente Médio. Recentemente, o Irã protestou veementemente quando tropas sauditas foram para o Bahrein por conta dos protestos populares contra o governo do país.

O Bahrein tem uma população predominantemente islâmica xiita, como o Irã, mas, ao contrário deste, conta com uma elite política formada por muçulmanos sunitas, a mesma tendência religiosa dos xeques sauditas.

A Arábia Saudita e o Irã se opõem em diferentes frentes. Os sauditas estão entre os mais fortes aliados americanos na região e os iranianos não mantém relações diplomáticas com os americanos. Assim como os EUA, os sauditas temem as supostas ambições iranianas de desenvolver armas nucleares, mas Teerã afirma que seu programa nuclear tem fins meramente pacíficos.

Com AFP, BBC e Reuters

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