Obama promete retirar tropas do Iraque até agosto de 2010

Macarena Vidal. Washington, 27 fev (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou hoje a retirada para agosto de 2010 das tropas de combate americanas desdobradas no Iraque, onde permanecerão entre 35 mil e 50 mil soldados interinos de apoio às forças iraquianas.

EFE |

"Vou dizer isto da maneira mais clara possível: no dia 31 de agosto de 2010 terminará nossa missão de combate no Iraque", afirmou Obama, em um ato na base militar de Fort Lejeune, na Carolina do Norte.

"O Iraque ainda não é seguro, e haverá dias difíceis pela frente", admitiu o governante, que indicou que sua decisão leva em conta outras prioridades.

"Encaramos o desafio de nos estabilizar no Afeganistão e Paquistão; de aliviar o peso sobre nossos militares, e de reconstruir nossa economia. São desafios que vamos encarar", sustentou.

Obama disse ainda que foi preciso ser realista sobre a situação no Iraque no momento de definir a retirada das tropas.

"Não podemos livrar o Iraque de todos que se opõem aos EUA ou têm simpatia por nossos adversários (...) Não podemos sustentar de modo indefinido um compromisso que impôs pressão a nossos militares e que custou quase US$ 1 trilhão ao povo americano", afirmou.

Segundo o calendário traçado por Obama, cerca de 90 mil soldados deixarão o Iraque nos próximos 18 meses, um prazo um pouco maior que os 16 meses prometidos na campanha eleitoral, mas que, para o governante, permitirá garantir a segurança no país árabe.

Entre 35 mil e 50 mil soldados permanecerão para ajudar as Forças Armadas iraquianas até o fim de 2011, quando expira o prazo para a permanência das tropas americanas, fixado no ano passado entre Washington e Bagdá.

Em entrevista coletiva, o secretário de Defesa americano, Robert Gates, não descartou a possibilidade de a presença dos EUA ser prorrogada para além de 2011, mas indicou que isso dependerá de uma solicitação de Bagdá.

"Penso que devemos estar preparados para manter uma pequena equipe no país, talvez de apoio de inteligência, mas por enquanto não recebemos um pedido neste sentido, e não há indícios de que vamos receber", declarou o secretário de Defesa.

A iniciativa vai por fim a um conflito que já dura cerca de seis anos, deixou mais de 4.200 americanos mortos e representou um grande peso na economia do país.

Apesar de alguns soldados já terem retornado este ano para os Estados Unidos, o grosso da retirada estará concentrado ao longo de 2010, porque em dezembro deste ano acontecem as eleições parlamentares no Iraque, indicou Gates.

Estão desdobrados atualmente no Iraque cerca de 142 mil militares americanos.

Obama quer reforçar a presença militar americana no Afeganistão na medida em que diminui o número de soldados no Iraque, e recentemente anunciou o envio aproximadamente 17 mil uniformizados adicionais ao país centro-asiático.

Em seu discurso, Obama apresentou um panorama para depois do fim da presença militar no Iraque, e prometeu aumentar seus esforços diplomáticos nesse país.

Anunciou que o novo embaixador em Bagdá será Christopher Hill, até agora o principal negociador americano nas conversas sobre o programa nuclear norte-coreano.

Hill assumirá o lugar do veterano Ryan Crocker na Embaixada americana no Iraque.

Como parte da nova atitude, os Estados Unidos também pretendem iniciar uma aproximação "sustentada e guiada por princípios" a todos os países no Oriente Médio, "incluindo Irã e Síria", afirmou Obama.

Os EUA querem focar seus esforços novamente na luta contra a Al Qaeda no Afeganistão e Paquistão, no programa nuclear iraniano e nas negociações para uma paz duradoura entre Israel e seus vizinhos, assegurou.

Em parte de seu discurso, o governante americano se dirigiu diretamente ao povo iraquiano.

"Os EUA não querem tomar seu território ou seus recursos.

Respeitamos sua soberania e os enormes sacrifícios que fizeram por seu país (...) Podemos construir uma relação duradoura baseada em nossos interesses mútuos e um respeito recíproco, enquanto o Iraque ocupa o lugar que lhe corresponde na comunidade de nações", afirmou.

Antes de pronunciar seu discurso hoje, Obama ligou para seu antecessor, George W. Bush, e para o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, para lhes informar sobre seus planos. EFE mv/mh

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