Obama promete reformar regulação da economia

Macarena Vidal. Washington, 18 dez (EFE).- O presidente eleito de EUA, Barack Obama, se disse hoje crítico do atual sistema regulador da economia, ao afirmar que ele se ficou dormindo ao volante, motivo pelo qual prometeu uma reforma exaustiva.

EFE |

Obama deu hoje uma entrevista coletiva em Chicago, a quarta em quatro dias, para apresentar a parte de sua equipe econômica que se ocupará da regulação, e que será chefiada por Mary Schapiro como presidente da Comissão de Valores (SEC, na sigla de comissão).

Schapiro é atualmente a responsável da Autoridade Reguladora da Indústria Financeira, organismo que controla as operações de todos os corretores da Bolsa de Valores e agentes de mercado que operam no país.

Além disso, Gary Gensler liderará a Comissão do Mercado de Futuros e Daniel Tarullo preencherá uma vaga existente no Federal Reserve (Fed, banco central americano).

As três nomeações, para serem efetivadas, deverão ser confirmadas pelo Senado em audiências.

Ao anunciar as nomeações, o presidente eleito lançou uma dura crítica ao atual sistema de supervisão, e acusou os reguladores de terem "dormido ao volante" e "deixado que os problemas lhes escapassem" das mãos.

Concretamente, Obama referiu-se a escândalos como a gigantesca fraude protagonizada pelo agente financeiro Bernard Madoff, que operou durante anos uma pirâmide financeira em uma fraude que o próprio autor reconheceu passar dos US$ 50 bilhões, segundo a Procuradoria.

O presidente eleito ressaltou que este caso demonstra "a urgência com a qual necessitamos da reforma" e prometeu que quando chegar ao poder, em 20 de janeiro, uma de suas primeiras iniciativas será "fortalecer firmemente o sistema regulador" da economia.

Neste sentido, prometeu que apresentará em breve um plano detalhado, que incluirá a simplificação do sistema, cujas competências atualmente se repartem entre um grande número de agências que regulam diversos aspectos da estrutura financeira.

"Muitos americanos estão frustrados porque não houve muita supervisão séria", destacou o futuro presidente.

A SEC admitiu ter recebido alertas sobre as operações de Madoff nos últimos anos, apesar das quais não abriu investigação sobre a trama financeira criada pelo investidor.

Trata-se de outra mancha no histórico da SEC, que foi muito criticada por permitir os excessos financeiros que levaram à atual crise nos mercados.

Em suas declarações, o presidente eleito americano não quis se pronunciar sobre se apoiaria uma decisão do secretário do Tesouro, Henry Paulson, de utilizar os US$ 350 bilhões que ainda falta aplicar no plano de resgate financeiro de US$ 700 bilhões.

Dada a gravidade dos problemas do setor automobilístico americano, no qual Ford, Chrysler e General Motors ameaçam desaparecer se não receberem ajuda pública, foi cogitado que o Governo optasse usar esses fundos para resgatar os "Três Grandes de Detroit".

Obama limitou-se a indicar: "acho que é importante que o Tesouro, o Federal Reserve e todos nós façamos o que seja necessário para garantir que nosso sistema financeiro fique estável e seguro".

No entanto, lembrou que até agora o Federal Reserve não indicou que seja necessário recorrer a esses fundos, que em princípio seriam reservados para serem concedidos pelo novo Governo, e declarou: "não podemos permitir um colapso de nosso sistema financeiro".

Ao aceitar a nomeação, Schapiro afirmou que à frente da SEC sua meta será "sempre proteger os investidores", pois a confiança destes representa "a batida do coração dos mercados financeiros".

Por sua parte, Gensler, subsecretário do Tesouro durante o Governo de Bill Clinton e diretor do banco Goldman Sachs por uma década, prometeu que, no comando da Comissão do Mercado de Futuros, contribuirá para "a reforma do sistema regulador".

Tarullo, um dos assessores econômicos de Obama atualmente professor na Universidade de Georgetown, expressou seu interesse em contribuir para "canalizar a economia nestes momentos difíceis". EFE mv/jp

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