Por Matt Spetalnick e Andrew Quinn NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O presidente Barack Obama prometeu na quarta-feira uma nova era de comprometimento dos Estados Unidos com o mundo e pediu a ajuda global para frear os programas nucleares do Irã e da Coreia do Norte e para a guerra norte-americana no Afeganistão.

"Aqueles que costumavam criticar a América por agir sozinha no mundo não podem agora aguardar e esperar que a América resolva os problemas do mundo sozinha", disse Obama em seu primeiro discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Obama pediu que os líderes mundiais unam-se a ele, afirmando que é o momento para que muitos se movimentem para além de "um antiamericanismo quase reflexivo, que com muita frequência serviu como desculpa para a falta de ação coletiva."

O líder norte-americano, que será o anfitrião de uma cúpula do Grupo dos 20 em Pittsburgh esta semana, também prometeu trabalhar com os aliados a fim de fortalecer a regulamentação financeira para "pôr um fim à cobiça, ao excesso e ao abuso que nos levaram ao desastre".

Obama esteve entre os primeiros oradores importantes do encontro deste ano da ONU, que reúne mais de 100 chefes de Estado e de governo para discutir questões que vão da proliferação nuclear e o terrorismo internacional até a mudança climática e a pobreza global.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe -- todos críticos à política externa dos EUA -- devem participar do encontro, prometendo contestar o ponto de vista de Obama.

Na abertura do encontro, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, instou aos delegados a colocarem suas diferenças de lado.

"Se já houve um momento de agir dentro de um espírito de multilateralismo renovado -- um momento de criar uma Organização das Nações Unidas de ação coletiva genuína --, este momento é agora", afirmou ele.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável pelo discurso de abertura que tradicionalmente cabe ao Brasil, pediu aos líderes empenho na regulação dos mercados e no combate às mudanças climáticas.

Obama conferiu um novo tom à política externa dos EUA, ressaltando a cooperação e a consulta, ante o unilateralismo de seu antecessor, George W. Bush.

Mas, embora o aplauso que recebeu na ONU tenha sido testemunho da popularidade global de Obama, a nova abordagem apresentou poucas conquistas concretas na política externa.

O líder líbio, Muammar Gadafi, seguiu-se a Obama na tribuna, fazendo a sua estréia na ONU em meio à comoção nos EUA por causa do atentado de Lockerbie após a libertação pela Escócia de um oficial líbio condenado pelo ataque de 1988.

O discurso de uma hora e meia de Gadafi, entretanto, que mencionou de tudo, indo desde a Carta da ONU ao assassinato em 1963 do então presidente dos EUA John F. Kennedy, acabou afastando alguns delegados da sala pelo tédio.

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