Obama promete não excluir a África dos assuntos globais

Por Jeff Mason e Matt Spetalnick ACRA (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assegurou à África neste sábado que o continente não será excluído de assuntos de interesse mundial e saudou Gana, que é um país democrático, como modelo para as outras nações africanas.

Reuters |

A visita a Gana é a primeira de Obama à África sub-Saariana desde que ele assumiu o cargo de presidente dos Estados Unidos e se tornou o primeiro negro no posto. Ele chegou ao país após participar do encontro do G8 na Itália.

"Queríamos assegurar a vinda a um país africano após o G8 e depois de meus negócios em Moscou para enfatizar que a África não está separada dos assuntos mundiais," afirmou Obama após se encontrar com o presidente ganense, John Atta Mills, em Acra.

Gana simboliza uma África diferente das imagens de guerra, miséria e corrupção do continente mais pobre do mundo. Mills foi eleito em uma votação pacífica e transparente em dezembro passado, na qual o ex-partido governista entregou o poder.

"Cremos que Gana pode ser um modelo extraordinário para o sucesso em todo o continente," disse Obama no castelo presidencial em Acra, que outrora foi sede de europeus negociadores de escravos.

"Gostamos dos sinais positivos que esta visita está mandando e continuará mandando," afirmou Mills. "Isso nos incentiva também a manter as vantagens que tivemos no nosso processo democrático."

Obama ressaltou o sucesso econômico de Gana. Reformas no país produtor de cacau e ouro, e que deve começar a extrair petróleo no próximo ano, também ajudaram a trazer investimentos e crescimento sem precedentes antes do impacto da crise financeira mundial.

DEMOCRACIA

"Não permitimos que um presidente governe por 30 anos. Isso deveria ser a evidência para outros países de que isto pode ser feito," afirmou o fiscal tributário Nii Dodoo, 41, que estava entre a multidão nas ruas de Acra.

Ganenses em camisetas amarelas com fotos de Obama ao lado de Mills esperavam por um rápido olhar do presidente norte-americano, um herói no continente por causa de suas raízes como filho de um imigrante queniano. Mas a forte segurança fez com que apenas alguns poucos populares conseguissem acenar para ele.

A África não tem sido uma prioridade para o governo dos EUA, que luta contra a crise financeira global, mas Obama e outros líderes do G8 acertaram na Itália gastar 20 bilhões de dólares para melhorar a segurança alimentícia nos países pobres.

A política norte-americana na África enfrenta um crescente desafio devido à procura da China por recursos e mercados no continente. Alguns governos gostam do fato de a ajuda e o investimento chinês chegarem sem as condições estabelecidas pelo Ocidente.

(Reportagem adicional de Daniel Magnowski e Kwasi Kpodo)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG