Obama promete manter fronteira com México aberta apesar da gripe suína

Washington, 29 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse hoje que vai manter a fronteira com o México aberta, apesar do surto da gripe suína, um tema dominou a comemoração hoje de seus primeiros 100 dias na Casa Branca.

EFE |

Em entrevista coletiva, Obama também comentou sobre a crise econômica, a situação no Paquistão e Iraque, e a tortura, uma variedade de assuntos que refletem os grandes desafios que encontrou quando assumiu a Presidência americana.

Mas foi um vírus desconhecido há um mês e meio, o H1N1, que recebeu o maior destaque do discurso do presidente americano, que disse que a gripe suína "é motivo de preocupação, mas não de pânico".

Hoje, o Governo dos EUA informou a morte no Texas de uma criança de quase 2 anos que tinha estado no México, a primeira vítima fatal da gripe suína fora do país latino-americano.

Apesar de o México ser o epicentro da doença, Obama afirmou que seguirá a recomendação dos especialistas de saúde pública que lhe assessoram e não fechará a fronteira sul.

Para o presidente americano, fechar a fronteira com o México "seria como fechar as portas do estábulo depois de os cavalos terem escapado".

Foram confirmados até agora nos Estados Unidos 92 casos da gripe suína, e na entrevista coletiva Obama lembrou os cuidados que a população deve ter para evitar o contágio.

"Lavem as mãos, cubram a boca quando tossirem... Se você estiver doente, fique em casa. Se seu filho estiver doente, não o leve à escola", explicou.

No terreno econômico, Obama também recebeu hoje uma má notícia, com a publicação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que se contraiu a um ritmo anual de 6,1%, muito acima do calculado por analistas.

"Milhões de pessoas ainda estão sem trabalho e moradia, e outras mais ficarão nessa situação antes que a recessão termine", reconheceu Obama, que previu "tempos difíceis" para a indústria automobilística.

Ao mesmo tempo, se mostrou esperançoso com relação a uma saída para a Chrysler, que está à beira da falência. O presidente disse hoje que está "muito otimista" com a possibilidade de a empresa sobreviver como uma companhia "viável", depois das concessões realizadas pelos sindicatos e os credores.

"Todo isso aponta para a possibilidade de que possa haver uma fusão entre Fiat e Chrysler", assinalou Obama.

Amanhã termina o prazo dado pela Casa Branca para que a Chrysler desenvolva um plano de reestruturação que lhe permita evitar a falência.

Obama comentou sobre a tortura, assunto que ressurgiu com muita força nos Estados Unidos após sua decisão de divulgar os documentos legais com os quais o Governo de seu antecessor, George W. Bush, justificou os abusos.

O governante americano disse que a tortura "corrói o caráter de um país", e assegurou que sua proibição vai tornar os EUA "mais fortes com o tempo", vai tornar o país um lugar "mais seguro".

As asfixias simuladas, autorizadas pelo Governo anterior, "eram tortura, e independentemente do raciocínio legal que se usasse foi um erro", disse.

O ex-vice-presidente Dick Cheney continua defendendo essas práticas, com o argumento de que produziram informação muito valiosa, mas Obama afirmou hoje que esta "poderia ter sido obtida de outra forma".

Enquanto na tortura Obama e Bush estão em lados opostos, no assunto imigração os dois adotam posturas muito parecidas.

"Queremos avançar neste processo. Não podemos continuar com este sistema fracassado. Não é bom para ninguém", assinalou Obama, que reiterou seu compromisso de conseguir uma reforma migratória.

Calcula-se que nos Estados Unidos vivem cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais.

Na entrevista coletiva, o presidente americano também se confessou "muito preocupado" com a situação no Paquistão, onde se recrudesceram os combates entre o Exército e os talibãs.

Obama disse que o Governo paquistanês é "muito frágil", mas disse confiar em que as armas nucleares do Paquistão não cairão nas mãos dos insurgentes.

No discurso, o governante defendeu o direito ao aborto e assegurou que se trata de uma questão "moral" que deve corresponder à mulher.

"Não acredito que as mulheres que enfrentam esta situação tomem uma decisão superficialmente, e por isso é preciso facilitar o caminho para que tomem a decisão que lhe seja mais conveniente, de acordo com a recomendação de seus médicos e suas famílias", disse.

EFE cma/mh

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