O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta sexta-feira que vai confrontar a crise financeira de frente, tomando todos os passos necessários para combater a crise de crédito, ajudar famílias trabalhadoras e restaurar o crescimento e a prosperidade. Em sua primeira entrevista coletiva depois de eleito, Obama afirmou estar confiante de que um novo presidente poder ter um impacto enorme em conter a atual crise econômica no país.

A entrevista foi concedida após um encontro mantido pelo futuro presidente dos Estados Unidos e sua equipe de transição econômica, em Chicago.

Horas antes, os Estados Unidos anunciaram a sua maior taxa de desemprego em 14 anos: 6,5% no mês de outubro.

Nem rápido, nem fácil
"Não será rápido ou fácil sairmos do buraco em que nos encontramos", afirmou Obama durante a coletiva.

Os assessores econômicos do presidente eleito e seu futuro chefe de gabinete, Rahm Emanuel, estiveram ao lado dele no palco.

Obama demonstrou segurança, um ar sério que prevaleceu por quase toda a coletiva, uma certa hesitação ao falar sobre o Irã e alguns poucos toques de bom humor.

O presidente eleito acrescentou que gostaria de ver a "implementação de um pacote de estímulo econômico (pelo Congresso) antes cedo do que tarde", possivelmente antes mesmo de sua posse, em 20 de janeiro.

"Se ele não for aprovado durante a atual gestão, isso será a primeira coisa que eu farei", acrescentou.

Encontro com Bush
A despeito de enfatizar a gravidade da crise, Obama acrescentou que os Estados Unidos são um país "forte e resistente" que será bem-sucedido se colocar de lado divisões partidárias e todos trabalharem juntos como uma só nação.

O presidente eleito citou os contatos que a sua equipe de transição e a do presidente George W. Bush vêm mantendo como exemplos de trabalho bipartidário.

E mencionou o convite feito por Bush a ele e sua mulher, Michelle, de visitar a Casa Branca na próxima segunda-feira.

"O presidente Bush me convidou para visitá-lo", afirmou. "Não vou tentar antecipar problemas. Vou lá ignorando divisões partidárias."
Indústria automotiva
Obama destacou ainda que será uma importante prioridade de seu futuro governo implementar políticas que ajudem a combalida indústria automotiva do país a se ajustar à crise econômica.

"Estabeleci como uma prioridade que a minha equipe de transição crie políticas adicionais capazes de auxiliar a indústria automotiva a se ajustar", afirmou.

"A indústria automotiva é a espinha dorsal da indústria americana e uma parte essencial de nossa tentativa de reduzir nossa dependência em petróleo internacional", acrescentou. "Gostaria de ver o governo fazer todo o possível para acelerar a assistência que o Congresso já ofereceu."
A declaração foi uma referência ao pacote de US$ 25 bilhões em empréstimos oferecido pelo Congresso para que a indústria automobilística desenvolva veículos mais econômicos.

Nesta sexta-feira, a maior montadora americana, a General Motors, anunciou que vai precisar da ajuda do governo para que seus cofres não fiquem vazios a partir do ano que vem.

Bom humor
A entrevista de Obama se concentrou basicamente na economia. O futuro presidente americano não fez menções às guerras do Iraque e do Afeganistão.

Indagado sobre a carta que recebeu do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, parabenizando-o por ter conquistado a Presidência, o democrata evitou polemizar.

"O desenvolvimento de uma arma nuclear pelo Irã é inaceitável", disse. "Temos de criar um esforço internacional para impedir isso. Eu vou rever a carta de Ahmadinejad."
Obama deixou de lado o ar solene por alguns momentos para fizer tiradas bem-humoradas. O presidente eleito indagou o que havia acontecido com uma jornalista que estava com o braço engessado.

A repórter retrucou que havia quebrado o braço durante o comício do presidente eleito em Chicago. Obama, então, respondeu: "Acho que esse foi o único incidente por lá".

Obama também brincou ao dizer que "o cachorro é um tema crucial", ao responder a uma pergunta sobre o cãozinho que prometeu a suas duas filhas, quando ele e sua família se mudarem para a Casa Branca.

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