CHICAGO - O presidente eleito Barack Obama disse na terça-feira que os Estados Unidos se envolverão vigorosamente nas discussões climáticas e prometeu que, apesar da crise financeira, manterá os planos para uma drástica redução das emissões de carbono até 2020.


Obama reiterou seu compromisso com um sistema de limites e créditos para as emissões de dióxido de carbono por grandes indústrias.

"Vamos estabelecer rígidas metas anuais que nos coloquem no rumo de reduzir as emissões para o seu nível de 1990 até 2020, e para reduzi-las em outros 80% até 2050", disse ele num vídeo enviado a um evento sobre o aquecimento global, na Califórnia, com a presença de vários governadores e de representantes de outros países.

"Minhas presidência marcará um novo capítulo na liderança (dos Estados Unidos) da América sobre a mudança climática, que fortaleça nossa segurança e crie milhões de novos empregos nesse processo", disse Obama, que habitualmente critica as políticas climáticas de seu antecessor, George W. Bush.

Obama, que toma posse em 20 de janeiro, disse que não irá à conferência climática da ONU, em dezembro na Polônia, porque Bush ainda será o presidente, mas que pediu a parlamentares presentes que lhe transmitam informações.

"Quando eu tomar posse, vocês podem estar certos de que os Estados Unidos vão novamente se envolver vigorosamente nessas negociações e ajudarão a liderar o mundo na direção de uma nova era de cooperação global sobre a mudança climática", disse Obama.

Obama já havia feito promessas semelhantes durante a campanha, mas agora há maior preocupação com possíveis efeitos econômicos e sobre a geração de empregos. O democrata defende um sistema de limitação às emissões, com a comercialização de créditos em benefício de quem superar suas metas ou investir em projetos ambientais - algo que a Europa há anos pressiona os EUA a adotarem.

O presidente eleito disse que seus planos de investir US$ 15 bilhões por ano em energia solar, energia eólica e outras fontes renováveis reduzirá a dependência dos EUA em relação ao petróleo estrangeiro, aumentando a segurança nacional e contribuindo com o planeta.

"Também nos ajudará a transformar nossas indústrias e a tirar nossa economia da crise", disse ele, citando uma estimativa frequentemente mencionada de que as atividades "ambientalmente corretas" poderiam gerar 5 milhões de empregos.

Ambientalistas elogiaram o discurso, especialmente na atual conjuntura. "(Na conferência da Polônia) os olhos do mundo estarão voltados para a América e para a nossa recém-encontrada disposição e nos juntar novamente aos esforços globais", disse em nota Larry Schwaiger, presidente e executivo-chefe da entidade National Wildlife Federation.

"Com seu apelo à ação de hoje sobre o aquecimento global, o presidente-eleito Obama pôs a mudança em marcha", afirmou.

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