Macarena Vidal. Washington, 24 fev (EFE).- A economia, passada, presente e futura tornou-se hoje protagonista absoluta do discurso que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dirigiu às duas câmaras do Congresso sobre suas prioridades legislativas, antecipando parte da proposta de orçamento que apresentará na quinta-feira.

Em seu discurso de aproximadamente 45 minutos de duração, o primeiro aos legisladores, juízes do Tribunal Supremo, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernake, e todos os que têm algum poder em Washington, Obama deixou claro que, por enquanto, em sua agenda há pouco espaço para o que não seja enfrentar a crise.

O presidente passou em revista a economia que encontrou ao chegar à Casa Branca, e não economizou críticas.

Segundo lembrou, ele herdou de seu antecessor, George W. Bush, "um déficit de US$ 1 trilhão, uma crise financeira e uma recessão muito dura".

Nos últimos anos, segundo ele, "deixamos de olhar para o futuro além do próximo pagamento, o próximo trimestre ou as próximas eleições".

Mas apesar de a situação ser grave e a economia dos Estados Unidos ter se contraído em 3,8% durante o último trimestre de 2008, Obama afirmou que é possível superar os problemas e disse que as medidas que introduziu surtirão efeito.

O caminho, disse, não estará livre de obstáculos, mas os Estados Unidos seguirão adiante caso se empenhem com sensatez e coragem. "O que precisamos agora é de que este país se una, enfrente com ousadia os desafios que encaramos e se faça responsável por seu futuro mais uma vez", destacou.

Até o momento, o presidente americano promulgou um plano de estímulo econômico avaliado em US$ 787 bilhões que afirma que permitirá criar ou salvar entre 3 milhões e 4 milhões de postos de trabalho em dois anos.

Também apresentou um plano de resgate do sistema financeiro e uma iniciativa para ajudar os proprietários de imóveis.

Obama prometeu também promover uma reforma do sistema regulador, para evitar os excessos dos últimos anos, e assegurou que apesar das despesas de curto prazo para enfrentar a crise, cortará pela metade o déficit atual em quatro anos, a US$ 533 bilhões.

"Já identificamos onde economizar US$ 2 trilhões ao longo da próxima década", disse, ao anunciar que, entre outras medidas, eliminará os contratos sem concurso público no Iraque ou as isenções fiscais a empresas que exportam trabalhos ao exterior.

O presidente americano deve apresentar na quinta-feira sua primeira proposta orçamentária ao Congresso, e aproveitou seu discurso de hoje para adiantar alguns dos princípios que o regerão.

Neste sentido, já advertiu que sua proposta "refletirá a dura realidade" econômica atual e os legisladores, tanto democratas quanto republicanos -e ele mesmo-, terão "que sacrificar algumas prioridades muito meritórias para as quais não há dinheiro".

Ao mesmo tempo, disse que "não podemos fazer pouco caso de nossos desafios de longo prazo" e que, portanto, deve investir em áreas como energia, saúde e educação.

Além da economia, Obama dedicou pouco espaço às relações exteriores, em um reflexo do que foi até agora o seu mandato.

O presidente concentrou-se na crise econômica e só hoje, mais de um mês após sua chegada à Casa Branca, recebeu pela primeira vez um líder estrangeiro, o primeiro-ministro japonês Taro Aso, após dedicar as primeiras semanas no cargo a promover o plano de estímulo econômico promulgado na semana passada.

Na segunda-feira, Obama organizou na Casa Branca uma cúpula de responsabilidade fiscal assistida por cerca de 130 pessoas.

Com sua mensagem hoje, Obama, que rodou com frequência fora de Washington para promover o plano de estímulo diretamente ao público, pretendeu novamente transmitir sua mensagem diretamente ao povo, aos eleitores.

Até o momento, porém, os mercados mal responderam às suas propostas e na segunda-feira, enquanto realizava sua cúpula de responsabilidade fiscal, a Bolsa de Nova York caiu ao nível mais baixo desde 1997, entre temores de uma nacionalização de bancos.

Hoje, os mercados reagiram não a ele, mas após Bernanke afirmar que a recessão pode terminar ainda este ano.

Para conseguir que este prognóstico se torne realidade, Obama terá que ser muito persuasivo. EFE mv/jp

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