Washington - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pressionou hoje os legisladores para que aprovem o mais rápido possível sua proposta orçamentária, apesar de uma auditoria do Congresso opinar que ele gerará um déficit gigantesco.

Em seu discurso por rádio dos sábados, Obama, que hoje se encontra na residência de descanso presidencial de Camp David, insistiu em que segue com seus planos orçamentários, que este ano preveem uma despesa de US$ 3,6 trilhões, e com seu compromisso para reduzir o déficit à metade em quatro anos.

"No total, nosso orçamento reduziria a despesa em programas para o território nacional, como proporção do total da economia, a seu nível mais baixo em quase meio século", afirmou o presidente.

Segundo Obama, seu Governo examina "linha por linha" as verbas de contabilidade para cortar cerca de US$ 2 trilhões em despesas ao longo dos próximos dez anos, como prometeu.

"Continuaremos adotando essas difíceis decisões nos meses e anos que temos pela frente para que, à medida que se recupera nossa economia, façamos tudo que pudermos para diminuir este déficit".

As promessas do presidente acontecem apesar de o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), o braço auditor do Capitólio, ter calculado nesta sexta-feira que o déficit fiscal do ano em curso alcançará US$ 1,845 trilhão, em vez dos US$ 1,2 trilhão previstos inicialmente.

Isso representaria 13,1% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos.

Segundo as projeções de o CBO, o déficit acumulado ao longo da próxima década poderia se elevar a US$ 9,3 trilhões.

A diferença entre o déficit calculado em janeiro e agora se deve à magnitude do plano de estímulo econômico promulgado em fevereiro, no valor de US$ 787 bilhões, e outras medidas para combater a crise.

O anúncio do CBO gerou uma profunda inquietação no Capitólio, que deve aprovar a proposta orçamentária de Obama.

A minoria republicana, e vários legisladores democratas moderados, já tinham expressado sua inquietação pelo impacto que esse orçamento poderia ter no déficit.

Em sua mensagem por rádio, Obama defendeu sua proposta como necessária para "conseguir o crescimento da economia" e atacar os problemas que atrapalharam os americanos por tempo demais: "O alto custo do atendimento médico e a dependência do petróleo estrangeiro; o déficit educativo e o orçamento fiscal".

"Há quem diz que estes planos são ambiciosos demais para serem colocados em prática (...) Respondo a isso dizendo que os desafios que enfrentamos são grandes demais para enfrentarmos com medidas óbvias", explicou o presidente americano.

No discurso semanal republicano, o governador do Mississipi, Haley Barbour, afirmou que o orçamento da Casa Branca "gasta demais, aplica muitos impostos e pede demais emprestado".

Obama deve passar a maior parte da próxima semana defendendo seu projeto orçamentário, cujas linhas principais serão conhecidas em fevereiro e que será divulgado em detalhes no mês de abril.

Na terça-feira, Obama deve oferecer uma entrevista coletiva transmitida pela TV em horário nobre nos EUA.

Os esforços do presidente, no entanto, se viram prejudicados esta semana pela ira em torno do pagamento de bonificações da seguradora AIG a seus executivos, apesar de ter pedido US$ 182 bilhões em fundos públicos para sobreviver.

Os pagamentos extras, que inicialmente tinham sido cifrados em US$ 165 milhões, chegaram a US$ 218 milhões, revelou hoje o procurador-geral de Connecticut.

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