Obama pressiona Israel a aceitar Estado palestino

Por Matt Spetalnick e Jeffrey Heller WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pressionou na segunda-feira Israel a aceitar uma solução que contemple a criação do Estado palestino, mas não obteve um compromisso público do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nesse sentido.

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Na primeira reunião entre ambos na Casa Branca, Obama também sugeriu a Netanyahu que suspenda a ampliação dos assentamentos judaicos. Por outro lado, num aceno às preocupações dos israelenses com o diálogo Irã-EUA, o presidente afirmou que não esperará indefinidamente por progressos diplomáticos na questão nuclear iraniana.

Obama e Netanyahu tentaram minimizar as diferenças, mas não foi fácil ignorá-las.

"É do interesse não só dos palestinos, mas também dos israelenses, dos Estados Unidos e da comunidade internacional obter uma solução com dois Estados", disse Obama a jornalistas, tendo Netanyahu sentado ao seu lado no Salão Oval.

Netanyahu reiterou seu apoio a um governo palestino autônomo, mas não fez menção a um Estado, uma posição que demonstra uma rara divergência entre EUA e Israel.

"Não queremos governar os palestinos. Queremos que eles se governem", disse Netanyahu.

Obama considera que o envolvimento norte-americano no processo de paz do Oriente Médio será crucial para recuperar a imagem internacional dos EUA no mundo islâmico e a convencer os países árabes moderados a aderirem a uma frente única contra o Irã.

Há sinais de que Obama pretende atrair Netanyahu com a perspectiva de normalização das relações de Israel com todos os governos árabes, o que no entanto exigiria um extraordinário trabalho diplomático dos EUA.

Diante do ceticismo das lideranças israelenses em relação à aproximação de Obama com o Irã, Netanyahu planejava salientar a crescente preocupação do seu país com o programa nuclear da República Islâmica. Israel não descarta uma ação militar caso a diplomacia não convença Teerã a abandonar seu programa nuclear.

"O importante é garantir que haja um cronograma claro", disse Obama. "Até o final do ano devemos sentir se essas discussões (com o Irã) estão ou não começando a gerar benefícios significativos."

Obama também disse que não descartaria "uma gama de medidas" contra o Irã, inclusive sanções, caso o país mantenha seu programa nuclear. Os EUA e Israel temem que o Irã esteja desenvolvendo armas nucleares, embora Teerã garanta que seu objetivo é apenas gerar eletricidade com fins pacíficos.

(Reportagem adicional de David Alexander e Ross Colvin)

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