Obama pressiona Irã e ganha promessas em cúpula nuclear

Por Steve Holland e Jeff Mason WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pressionou para que sanções rápidas e ousadas sejam aplicadas ao Irã, nesta terça-feira, mas reconheceu que a China está preocupada com o impacto econômico e disse que as negociações estão complicadas.

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Encerrando um encontro sobre segurança nuclear com a presença de 47 países, Obama recebeu promessas de líderes mundiais de uma ação conjunta para evitar que grupos terroristas consigam armas nucleares, medidas que, segundo ele, tornarão os EUA e o resto do mundo mais seguros.

"Hoje é uma prova de que é possível enfrentar um desafio comum quando as nações se unem, se tornam parceiras, dividindo responsabilidades", disse Obama.

O impasse nuclear com o Irã ofuscou o brilho do encontro e ficou claro que ainda existem grandes obstáculos no caminho para a imposição de novas sanções da ONU ao Irã devido à sua suposta busca por armas nucleares.

Um dia depois de falar sobre o Irã com o presidente chinês Hu Jintao, Obama mostrou gratidão pela China ter concordado em ajudar nas negociações de uma nova resolução de sanções da ONU contra o Irã, mas disse que Pequim ainda tem dúvidas sobre as sanções.

Ele disse que explicou a Hu que deve haver consequências às violações do Irã às suas obrigações internacionais. Teerã nega estar tentando desenvolver uma arma atômica, e diz que quer energia nuclear para fins pacíficos.

"Os chineses estão obviamente preocupados com as ramificações que isso pode ter na economia em geral", disse Obama. "O Irã é um país produtor de petróleo."

Obama disse no dia 30 de março que esperava conseguir uma resolução de novas sanções em algumas semanas.

Ele negou-se a repetir a data na terça-feira mas afirmou que não quer um processo longo e demorado que leve meses para ser elaborado. Obama acrescentou que quer "nos ver agir de forma rápida e corajosa".

"Acho que temos um grande número de países no Conselho de Segurança que acreditam que essa é a coisa certa a ser feita. Mas acho que essas negociações podem ser difíceis e eu vou pressionar o máximo que puder", ele disse.

Pequim enfatizou na terça-feira querer que uma resolução do Conselho de Segurança encontre uma saída diplomática para esse impasse nuclear. O Irã, que não participou do encontro, é o terceiro maior fornecedor de petróleo bruto da China.

Yukiya Amano, chefe da fiscalização nuclear da ONU, a Agência Internacional de Energia Atômica, disse à Reuters que teme que o Irã reduza sua cooperação com os inspetores da ONU se mais sanções forem impostas.

O comunicado final da cúpula promete maiores esforços para impedir que "atores não-estatais" como a al Qaeda consigam obter os materiais essenciais para produzir armas atômicas para "propósitos malignos".

Enquanto o comunicado final do encontro não incluiu nenhum mecanismo que imponha as medidas, Obama defendeu o acordo, dizendo que acredita que os líderes mundiais estavam levando seus compromissos a sério.

A Coreia do Norte, cujo programa de armas nucleares é uma preocupação constante para o Ocidente, não participou da cúpula. Os líderes do encontro mandaram uma mensagem clara a Pyungyang ao anunciar que a Coreia do Sul será a sede do próximo encontro da cúpula de segurança nuclear, em 2012.

DIVIDENDOS REAIS

O encontro produziu dividendos concretos com o objetivo de impedir o que, de acordo com Obama, era a maior ameaça à segurança mundial - o risco que terroristas obtenham mesmo que uma parte mínima das estimadas 2.000 toneladas de plutônio e urânio altamente enriquecido que existem em dúzias de países.

Washington e Moscou assinaram um acordo para reduzir seus estoques excedentes de plutônio separado, utilizado na produção de armas nucleares. Os EUA, Canadá e México concordaram em trabalhar em conjunto com a Agência de Energia Atômica para converter o combustível utilizado no reator de pesquisa do México em um combustível de baixo teor de urânio em vez de um de alto teor de urânio.

A Ucrânia, que em 1994 entregou as armas nucleares herdadas do colapso da união Soviética, anunciou que se livrará de seu urânio altamente enriquecido, e o Canadá disse que devolverá o combustível nuclear gasto ao seu fornecedor, os EUA.

A cúpula testou a habilidade de Obama de estimular uma ação global sobre uma ampla pauta nuclear que finalmente livrará o planeta de armas atômicas.

Mas alguns países estão céticos sobre a intensidade da ameaça nuclear terrorista, e a veem mais como uma preocupação norte-americana depois dos ataques da al Qaeda em 11 de setembro de 2001.

A reunião culminou com uma onda de apoio diplomático na questão nuclear para Obama, que transformou o controle de armas na sua bandeira para a política externa. Ele assinou um novo de acordo de redução de armas nucleares com a Rússia na semana passada e anunciou, unilateralmente, que os EUA limitarão o uso de armas nucleares, um plano que foi atacado por críticos conservadores.

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