Macarena Vidal Washington, 20 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, esteve hoje no Capitólio para se reunir com os congressistas democratas e articular apoio em favor da reforma do sistema de saúde americano, na véspera de uma votação crucial para o projeto.

Obama esteve hoje na sede do Congresso americano em uma rara iniciativa, já que normalmente os presidentes só vão ao Capitólio uma vez por ano para pronunciar o discurso sobre o Estado da União.

Mas a reforma no sistema de saúde é a principal prioridade legislativa de Obama, cuja força política está em jogo na aprovação da medida. A um dia dessa votação decisiva na Câmara de Representantes, ainda não está claro se os democratas possuem o número de 216 votos "sim" necessários para aprovar o projeto.

O ritmo das negociações hoje na Câmara era frenético. Por um lado, o Comitê de Regras abordava como realizar a votação e em que momento. Normalmente um encontro dessa comissão só interessaria aos mais especialistas, mas hoje a imprensa se aglomerava em frente a suas portas.

Conforme decidiu finalmente o Comitê, neste domingo os congressistas dedicarão duas horas ao debate de um dos projetos de lei e imediatamente realizarão as duas votações, de modo consecutivo, indicou o líder da maioria democrata na Câmara, Steny Hoyer.

Outro dos grandes centros de atendimento hoje girava em torno de um grupo de congressistas democratas católicos, que publicamente permanecem indecisos ou opostos à medida, e de cujo voto final pode depender o êxito da reforma, dado que a oposição republicana dará um "não" em bloco.

Esses congressistas, sobre quem Obama deve fazer maior pressão hoje, reivindicam emendas que garantam que não sejam destinados fundos federais para a prática de abortos.

O representante mais destacado deste grupo, Bart Stupak, cancelou este sábado uma esperada entrevista coletiva na qual tinha previsto expor suas exigências para concordar com a medida, em uma aparente ruptura de suas negociações com a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi.

O problema encontrado pelos líderes democratas é que se aceitam a reivindicação dos antiaborto, um grupo ainda mais numeroso de congressistas de esquerda ameaça retirar seu apoio à medida.

Uma possibilidade cogitada hoje para conciliar as posições de ambos os grupos era deixar a linguagem da medida como está e que Obama emitisse uma ordem presidencial que precisasse que não sejam usados fundos federais para as interrupções voluntárias da gravidez.

Enquanto as negociações aconteciam no interior do Congresso, do lado de fora se concentravam cerca de 2 mil simpatizantes do movimento conservador Tea Party, que se opõe taxativamente à reforma.

Publicamente, os líderes democratas asseguram que, no momento da votação, contarão com os 216 votos e conseguirão aprovar a reforma, um objetivo que nenhum dos presidentes americanos tinha conseguido até então.

"Acreditamos claramente que temos os votos", declarou hoje Steny Hoyer.

Obama se envolveu pessoalmente até o final nessa medida, que defendeu ao longo de seu mandato, inclusive contra a recomendação de alguns de seus assessores mais próximos.

Ao longo dessa semana, segundo confirmou a Casa Branca na sexta-feira, Obama conversou pessoalmente, tête-à-tête ou por telefone, com 64 legisladores para obter apoio à medida.

O presidente americano anunciou na quinta-feira que cancelaria uma viagem que faria nos próximos dias a Austrália e Indonésia, que devia ter começado este domingo para poder estar presente na reta final do processo.

Em princípio, a Câmara de Representantes votará no domingo dois diferentes projetos de lei.

O primeiro é o projeto de lei sobre a reforma já aprovada pelo Senado em dezembro passado. Se a Câmara também aprová-la, só faltará a assinatura de Obama para que se transforme em lei.

Um segundo projeto introduz uma série de emendas à medida, para deixá-la mais ao gosto dos congressistas democratas. Se a Câmara aprová-lo, passará para o Senado, que poderia votá-lo já na próxima semana. EFE mv/sa

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