Washington, 1 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prepara os últimos detalhes de uma nova estratégia nuclear que incluiria a redução do arsenal americano em milhares de armas, informou hoje o jornal The New York Times.

A nova estratégia, que poderia reverter algumas iniciativas do Governo de George W. Bush, está sendo discutida na Casa Branca. Esta seria a primeira atualização da política nuclear americana desde 2002.

O secretário da Defesa americano, Robert Gates, e um grupo de assessores apresentarão hoje várias opções ao presidente Obama sobre alguns pontos que não estão resolvidos, indicaram altos funcionários ao "New York Times".

Uma delas seria determinar as circunstâncias nas quais os Estados Unidos poderiam utilizar armas nucleares, que foram consideradas um elemento dissuasório desde a Guerra Fria.

O Governo rejeitou as propostas para que os EUA declarem que jamais serão o primeiro país a usar armas nucleares, disseram os funcionários ao jornal.

A decisão de reduzir o arsenal nuclear segue a linha do discurso de Obama no dia 5 de abril do ano passado, em Praga, no qual defendeu a eliminação, no futuro, dos arsenais nucleares existentes.

"A existência de milhares de armas nucleares é o legado mais perigoso da Guerra Fria", disse o presidente americano.

Para alguns de seus detratores este argumento é ingênuo, ainda mais em um momento no qual a ameaça nuclear ganha força, por conta de países como Irã e Coreia do Norte.

No entanto, alguns de seus aliados mostraram preocupação com a possibilidade de que os Estados Unidos usem armas nucleares em resposta a um ataque biológico ou químico, ou contra um país que não tenha arsenal nuclear.

Esta é uma das principais questões que "devem ser resolvidas nas próximas semanas", indicaram os funcionários, já que a maioria já foi estipulada, asseguraram ao "New York Times" assessores e militares que participaram de diversas reuniões sobre o tema.

Segundo o jornal, no centro da nova estratégia há um enfoque renovado no controle de armamento e nos acordos de não-proliferação.

Isto inclui um esforço para a aprovação do Tratado para a Proibição de Testes Nucleares (Comprehensive Nuclear Teste Ban Treaty), que o Governo de Bill Clinton não conseguiu levar adiante e que agora ainda enfrenta grandes obstáculos para ser ratificado no Senado.

Também inclui revisões do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, com objetivo de fechar as lacunas que os críticos dizem que foram exploradas por Irã e Coreia do Norte. EFE elv/mh

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