Obama prepara plano para Afeganistão em meio a incertezas

WASHINGTON - A poucas semanas de uma aguardada decisão de Barack Obama sobre o envio de reforços ao Afeganistão, um número crescente de vozes se elevam contra a guerra travada pelos Estados Unidos naquele país, agitando o fantasma de um novo Vietnã.

Redação com agências internacionais |

Cada vez mais especialistas duvidam de que a guerra possa ser vencida, num momento em que o presidente americano, que já ordenou o envio de mais 21.000 soldados ao Afeganistão, está pensando em aumentar ainda mais o número de militares e estudando uma mudança estratégica.

Durante a campanha, Obama apresentou a frente no Afeganistão como o único conflito útil na guerra contra o terrorismo, referindo-se à intervenção no Iraque de seu predecessor, George W. Bush.

O governo americano redefiniu recentemente suas prioridades, concentrando-se na luta contra a Al-Qaeda e seus apoios e afirmando o desejo de ampliar o esforço militar para retomar a iniciativa contra os rebeldes.

No terreno, a situação continua se degradando. Agosto de 2009 foi o mês mais mortífero para o exército americano desde o início da guerra, no fim de 2001.

"É uma nova estratégia. É a primeira, e reconheço que estamos lá há oito anos", declarou há alguns dias à rede de televisão NBC o almirante Michael Mullen, o chefe de estado-maior do Exército dos EUA.

"Porém, quero dizer também que é a primeira vez que elaboramos uma estratégia que seja ao mesmo tempo militar e civil. Portanto, de alguma forma, voltamos à estaca zero", acrescentou.

É com estas novas bases que Mullen defende o combate à "cultura da pobreza" que beneficia os talebans.

Lutar contra esta cultura "levou décadas no South Bronx", um bairro pobre de Nova York, ironizou o comentarista George Will no Washington Post de terça-feira.

"As semelhanças com o Vietnã são preocupantes", alertou há alguns dias o general da reserva Wesley Clark. "Lá também, uma insureeição era dirigida de fora do país", lembrou o ex-comandante-em-chefe das forças da Otan.

"Existe um paralelo perturbador (entre o Afeganistão e o Vietnã), que é a corrupção e a fraqueza dos governos locais", observou, por sua vez, o especialista Michael O'Hanlon, que defende a estratégia ofensiva de Obama no Afeganistão.

Nos dois casos, "o apoio da opinião pública americana foi minguando com o tempo, a medida que aumentava o número de vítimas", ressaltou Clark em sua tribuna para o New York Daily News.

De acordo com uma pesquisa publicada terça-feira pela rede de televisão CNN, quase seis em cada dez americanos são contrários à guerra.

"É preciso que as pessoas entendam melhor a estratégia, e o que realmente acontece no terreno", disse Michael O'Hanlon, do centro de pesquisas Brookings.

Obama vai encarar nas próximas semanas uma dura batalha no Congresso, onde as vozes dissonantes se multiplicam até entre os democratas.

Por enquanto, ele ainda conta com o apoio da maioria. Mas todos concordam com o fato de que a tarefa dos Estados Unidos no Afeganistão é, além de imensa, cheia de incertezas.

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