O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, planeja anunciar nesta terça-feira um novo pacote de mudanças no setor de segurança do país. Antes, Obama se reúne em Washington com autoridades do setor de inteligência, segurança e justiça que vão apresentar suas análises sobre a situação no país após a tentativa de ataque contra um avião que fazia a rota entre Amsterdã e Detroit no dia de Natal.

De acordo com uma autoridade do governo americano, a revisão do sistema de segurança tem o objetivo de "melhorar o sistema de lista de monitoramento e a habilidade de evitar futuras tentativas de ataques terroristas".

A reunião conta com a presença da secretária de Estado, Hillary Clinton, do diretor da CIA, Leon Panetta, do diretor do FBI, Robert Mueller, do secretário de Defesa, Robert Gates, e da secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano.

A reunião e o subsequente anúncio de um novo pacote de reformas na segurança ocorrem em um momento em que o governo americano coloca na lista de monitoramento dezenas de nomes de pessoas que "devem passar por revistas extras" e que "não têm permissão de embarcar em voos para os Estados Unidos".

Listas
O nome do suspeito da tentativa de ataque contra o avião que pousaria em Detroit no dia de Natal, o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, de 23 anos, foi analisado pelo governo americano em novembro, quando o pai dele comunicou à embaixada na Nigéria suas preocupações a respeito do filho.

O nome de Abdulmutallab estava em uma grande lista de monitoramento, com cerca de meio milhão de pessoas na base de dados, a chamada lista Tide (Terrorist Identities Datamart Environment).

Mas o nome nunca foi tirado da lista Tide para uma lista de monitoramento menor de pessoas que precisam passar por revista mais detalhada antes de entrar nos Estados Unidos ou até mesmo são proibidas de embarcar em voos para o país.

Depois da tentativa de ataque, os Estados Unidos anunciaram novas medidas de segurança para passageiros que passam ou partem de uma lista de 14 países. Esses passageiros estariam sujeitos a medidas mais severas como revistas manuais por policiais e inspeções de bagagem de mão.

A lista de países inclui Cuba, Irã, Sudão e Síria, que os Estados Unidos consideram patrocinadores do terrorismo, além de outros dez países - incluindo o Iêmen, onde Abdulmutallab teria recebido treinamento, e a Nigéria, país pelo qual o nigeriano passou em sua viagem para Detroit.

A Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA) assumiu a responsabilidade pelo plano de explodir o avião que chegava a Detroit no dia de Natal, o que aumentou a preocupação em relação ao Iêmen, país onde o grupo está baseado.

A Nigéria, por sua vez, afirmou que a sua inclusão na lista é "injusta", e o jornal do governo cubano, o Granma, afirmou que as novas medidas do governo americano são fruto de uma "paranoia antiterror".

Reabertura
Os temores em relação ao Iêmen levaram os Estados Unidos a fechar sua embaixada em Sanaa, capital do país, devido à ameaça de um possível ataque da Al-Qaeda.

Nesta terça-feira, depois de dois dias, os americanos reabriram sua embaixada na cidade. A reabertura ocorreu pouco depois de vários países terem anunciado que estariam reforçando a segurança em suas embaixadas.

França, Espanha e Japão restringiram o acesso às suas representações diplomáticas. A embaixada da Grã-Bretanha permance fechada desde domingo.

Em meio ao aumento da tensão no país, as forças de segurança do Iêmen anunciaram que pelo menos dois militantes da Al-Qaeda teriam sido mortos em uma operação antiterror no norte da capital.

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