Obama precisa agir com rapidez para tranqüilizar um país inquieto

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, deverá agir com rapidez para tranqüilizar um país preocupado com seu futuro, e que depositou nele toda sua confiança ao elegê-lo com uma clara maioria, reforçando, além disso, a maioria democrata no Congresso.

AFP |

"A mudança chegou à América", anunciou Obama a seus seguidores, a quem pediu unidade e paciência para enfrentar os desafios do país.

"O caminho será longo. O caminho será espinhoso. Talvez não alcancemos nosso objetivo em um ano, inclusive muito menos em um mandato. Mas, Estados Unidos, nunca tive tanta esperança do que nesta noite e nós conseguimos. Eu prometo a vocês, nós, os americanos, vamos conseguir", afirmou.

O presidente eleito herda uma situação econômica extremamente difícil. Os Estados Unidos e o mundo atravessam talvez a crise financeira mais grave desde a de 1929. O país está comprometido em duas guerras, no Iraque e Afeganistão.

Um total de 152.000 soldados americanos permanecem mobilizados no Iraque, mais de cinco anos depois da invasão desse país, e 32.000 soldados americanos estão no Afeganistão, seis anos depois do começo da guerra contra o terrorismo que George W. Bush lançou após os atentados de 11 de setembro.

Obama obteve a indicação democrata contra sua adversária Hillary Clinton prometendo retirar os soldados americanos do Iraque "de forma responsável" depois de 16 meses e vários democratas esperam que isso aconteça.

Antes de assumir suas funções no Salão Oval da Casa Branca, em 20 de janeiro de 2009, Obama deverá explicar como vai resolver o problema da economia do país e assumir um déficit público próximo dos 500 bilhões de dólares.

A opção que Obama proporá para o posto do secretário do Tesouro será de extremo significado. Durante a campanha, Obama contratou um grupo de assessores econômicos, entre eles o ex-secretário do Tesouro de Bill Clinton Robert Rubin, além de Lawrence Summers. Este último é citado com freqüência para retomar o cargo. O nome do presidente do Federal Reserve do estado de Nova York, Tim Geithner, é especulado às vezes, assim como o ex-presidente do Fed Paul Volcker.

É a primeira vez desde 1992 que os democratas controlam a Casa Branca e o Congresso.

Segundo pesquisas realizadas, mais da metade dos eleitores afirmam que a economia é seu principal tema de preocupação e para 93% deles a economia americana não está numa boa situação.

Obama obteve a maioria dos votos desses eleitores em questão.

O primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos pode se orgulhar de ter obtido a metade dos votos dos eleitores brancos, a quase totalidade da comunidade negra e os votos de dois em cada três americanos de origem hispânica.

A transição vai durar dois meses, um período aparentemente longo, mas, nesse caso, extremamente curto.

"Enquanto celebramos a vitória esta noite, sabemos que os desafios de amanhã são os mais importantes de nossa existência - duas gueras, um planeta em perigo, a crise financeira mais grave do século", recordou Obama.

Todos os indicadores estão no vermelho. A taxa de desemprego alcança 6,1% e as projeções para o próximo ano são pessimistas.

Obama terá muito trabalho para atender às grandes esperanças que fez nascer nos eleitores.

aje/cn/fp

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