Obama pode resgatar honra de ex-pugilista negro

Jack Johnson foi em 1908 o primeiro negro a se tornar campeão mundial de boxe na categoria pesos-pesados, antes de ser condenado à prisão por motivos racistas. Um século depois, Barack Obama, o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, tem a oportunidade de resgatar a honra de Johnson.

AFP |

Jack Johnson, mais conhecido como "O gigante de Galveston", nome da cidade do Texas onde nasceu, em 31 de março de 1878, tem no currículo 78 vitórias, sendo 45 por nocaute, 12 empates e oito derrotas. No dia 26 de dezembro de 1908, ele se tornou o primeiro negro a faturar o cinturão mundial dos pesos-pesados ao bater o canadense Tommy Burns em Sydney, na Austrália.

Ele recolocou seu título em jogo outras nove vezes. Em uma delas, em 1910, venceu James Jeffries, um ex-campeão aposentado que voltou aos ringues para encarnar "a esperança branca" e tentar derrotá-lo.

Marcada pelas leis sobre a segregação racial, a América começou a ficar incomodada com o reinado do pugilista negro. Em 1913, Johnson, que namorava uma mulher branca, foi condenado em virtude de uma lei contra o tráfico de seres humanos e a prostituição (Mann Act), ao término de um julgamento hoje considerado racista. Ele viajou à Europa para fugir da sentença, mas voltou em 1920 e ficou um ano preso.

É para reabilitar o pugilista que o senador John McCain e o representante Peter King, dois republicanos, apresentaram nesta semana um projeto de lei ao Congresso dos Estados Unidos.

"Precisamos anular este ato de racismo que enviou um cidadão americano à prisão com base em acusações falsas", declarou McCain, adversário de Obama na última eleição presidencial americana.

"Estou certo de que o presidente assinará com muito prazer a lei para reabilitar Jack Johnson", acrescentou o senador.

As façanhas de Johnson nos ringues inspiraram outro pugilista negro, famoso por sua luta pelos direitos cívicos nos anos 60: Cassius Clay, mais conhecido como Mohammed Ali.

"Mohammed Ali se inspirou em Johnson. Ali lutou durante a década dos direitos cívicos. Johnson, por sua vez, lutou na época em que os negros eram linchados", comparou o diretor Ken Burns, autor de um documentário sobre Johnson.

"Não fazemos isso apenas por Jack Johnson, mas também para nós mesmos", sentenciou.

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