Obama pode destravar acordo que proíbe testes nuclear

Por Mark Heinrich VIENA (Reuters) - A vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais dos Estados Unidos representa maiores chances de implementação do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, mais de uma década após a negociação desse acordo, afirmaram nesta quarta-feira autoridades do pacto.

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O tratado, que proíbe todos os tipos de detonação nuclear, não pode entrar em vigor antes de ser ratificado por todos os 44 países listados em um anexo. Esses países fizeram parte das negociações de 1996 e possuem reatores nucleares para produção de energia ou para fins de pesquisa.

Nove dos 44 países não ratificaram o documento -- Irã, Israel, Coréia do Norte, Indonésia, Egito, Índia, Paquistão, China e os EUA. O governo norte-americano em fim de mandato, encabeçado pelo presidente George W. Bush, mostrou-se sempre reticente quanto a comprometimentos multilaterais capazes de restringir suas opções na área de defesa.

Obama, no entanto, afirmou durante sua campanha que pretendia fazer com que o Senado norte-americano ratificasse o quanto antes o tratado, uma promessa que, se cumprida, pode fazer com que os demais países também façam o mesmo, disseram os responsáveis pelo documento.

Tibor Toth, secretário-executivo da organização criada pelo tratado, disse no encerramento de um encontro com os 180 países-membros da entidade que o compromisso de Obama significava "que estamos em um momento de virada política e que as nove peças restantes devem cair".

O presidente do encontro, Hans Lundborg, avaliou que isso pode ocorrer dentro de dois anos, apesar de o presidente eleito -- que toma posse no dia 20 de janeiro -- ter declarado como prioridade inicial a crise financeira que começou nos EUA.

"Depois da eleição nos EUA, vivemos um momento político favorável. E a mensagem de Obama é crucial para nós. E cabe aos outros países compreenderem essa mensagem", afirmou Lundborg.

O próximo líder norte-americano também disse que incentivaria outros países, em especial o Paquistão e a Índia, a acatarem o tratado.

A Indonésia afirmou recentemente que realizava "preparativos sinceros" para a ratificação do documento.

Outros países reticentes quanto a essa manobra final mostram-se preocupados com a limitação de suas opções estratégicas ou alimentam dúvidas a respeito dos mecanismos de verificação do tratado.

Os EUA, a China, a Índia e o Paquistão são potências nucleares declaradas, ao passo que Israel possuiria um arsenal atômico, mas nunca confirmou isso.

A Coréia do Norte testou um artefato nuclear em 2006 e selou, um ano mais tarde, um acordo com cinco potências trocando seu desarmamento por ajuda internacional. Mas esse acordo vem enfrentando problemas em meio a desavenças quanto aos mecanismos de verificação.

O Irã rebate as acusações feitas por potências ocidentais de que tenta desenvolver armas nucleares em segredo e diz que seu programa atômico visa apenas à produção de energia.

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