Obama pede uso de leis para impedir pagamento de bônus bilionários

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta segunda-feira ter instruído o secretário de Tesouro americano, Timothy Geithner, a buscar todas as medidas legais possíveis para impedir a seguradora AIG de pagar bônus equivalentes a US$ 165 bilhões (cerca de R$381 bilhões) a seus funcionários. A AIG foi uma das companhias contempladas com auxílios bilionários por parte do governo americano, tendo recebido US$ 80 bilhões.

BBC Brasil |

''Esta é uma companhia que se encontra em dificuldades financeiras devido à negligência e à ganância. Dentro dessas circunstâncias, é difícil entender como negociadores de derivativos da AIG mereceriam quaisquer bônus, quanto mais US$ 165 bilhões em pagamento extra. Como eles justificam essa afronta aos contribuintes que estão mantendo a companhia de pé?''

Os comentários de Obama foram uma referência às operações financeiras pouco usuais feitas pela AIG e diferentes instituições financeiras dos Estados Unidos que as conduziram à beira da falência.

O líder americano discursou durante um evento realizado na Filadélfia e voltado para anunciar os investimentos governamentais destinados a pequenas empresas.

''Isto não é apenas um tema de dólares e centavos. É sobre nossos valores essenciais. Por todo o país, há gente que dá duro para cumprir as suas responsabilidades, sem contar com o benefício de pacotes do governo ou bônus multi-milionários. Tudo o que elas pedem (...) é que todos sigam as mesmas regras. É uma ética que temos de exigir''.

De acordo com Obama, a situação com a AIG também destaca a necessidade de promover regulação financeira, para que o país não volte a viver situações semelhantes à quebradeira de instituições financeiras que ocorreu no final do ano passado.

O líder americano disse ser preciso também encontrar mecanismos para lidar com as instituições financeiras que enfrentam problemas, ''para que tenhamos mais autoridade para proteger o contribuinte americano e o nosso sistema financeiro em casos como esse''.

Em outro desdobramento, o procurador-geral de Nova York, Andrew Cuomo, pediu que a AIG forneça detalhes sobre quem está previsto para receber bônus na subsidiária nova-iorquina da AIG, a AIG Financial Products. Cuomo culpa a subsidiária pelo quase colapso da AIG no ano passado.

A reação enérgica de Obama se deve ao temor de que a opinião pública se volte contra o auxílio dado a instituições financeiras americanas e, em seguida, contra o próprio governo, o que poderia dificultar a implantação de medidas voltadas para sanar o sistema financeiro do país e a aprovação destas no Congresso.


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