Obama pede união em resposta à tragédia no Arizona

Em cerimônia em homenagem às vítimas de ataque, presidente pede que americanos 'ouçam uns aos outros'

BBC Brasil |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, participou nesta quarta-feira de uma cerimônia em memória às vítimas do ataque que deixou seis mortos e 13 feridos em Tucson, no Arizona, no último sábado.

Em discurso acompanhado por mais de 15 mil pessoas no ginásio da Universidade do Arizona, em Tucson, Obama disse que a tragédia não pode ser ser transformada “em mais uma ocasião para colocar uns contra os outros”.

“Em vez de apontar os dedos ou atribuir culpas, vamos usar essa ocasião para ouvir uns aos outros cuidadosamente, para aguçar nossos instintos de empatia e lembrar de todas as maneiras pelas quais nossas esperanças e sonhos estão unidos.”

“Não há nada que eu possa dizer que preencha o vazio repentino em seus corações. Mas saibam que a esperança de uma nação está aqui nesta noite”, afirmou.

Acompanhado da primeira-dama Michelle, o presidente também homenageou deputada democrata Gabrielle Giffords, que permanece internada em estado grave no Centro Médico Universitário de Tucson.

Giffords, 40 anos, foi baleada na cabeça pelo atirador, Jared Loughner, quando comandava um evento político do lado de fora de um supermercado. O presidente e a primeira-dama se reuniram ainda com sobreviventes e familiares das vítimas do ataque.

Segundo testemunhas, após atingir a deputada, Loughner, de 22 anos, abriu fogo contra o público e só parou ao ser contido por pessoas presentes ao evento. Ele está preso e responde a diversas acusações. Caso seja considerado culpado, poderá ser condenado à pena de morte. 

Vítimas

Obama disse que as vítimas da tragédia representam “o que há de melhor na América”. Entre os mortos, estão o juiz federal John Roll, de 63 anos, Gabe Zimmerman, de 30 anos, que era assessor de Giffords, e a menina Christina Taylor Green, de nove anos.

“Nossos corações estão partidos”, disse o presidente. “Mas também cheios de esperança pelos que sobreviveram”. O presidente também agradeceu àqueles que salvaram outras pessoas e ajudaram as vítimas. “Esses homens e mulheres nos lembram que o heroísmo não é encontrado apenas nos campos de batalha”, disse.

Retórica

O presidente se referiu ao debate surgido logo após o ataque sobre a cada vez mais violenta retórica política que opõe liberais e conservadores nos Estados Unidos.

“Em um momento em que nosso discurso se tornou tão bruscamente polarizado, em um momento em que estamos ansiosos para colocar a culpa por todas as aflições do mundo nos pés daqueles que pensam diferente, é importante parar por um minuto e certificar-se de que estamos conversando uns com os outros de maneira a curar, e não a ferir”, disse.

Uma das principais figuras nesse debate é a ex-candidata republicana à vice-presidência Sarah Palin, que tem sido acusada de incitar a violência e o ódio.

Antes das eleições de novembro, Giffords havia sido incluída em uma lista divulgada por Palin ao lado de 20 congressistas que o movimento conservador Tea Party buscava tirar do poder. A lista vinha ilustrada com a imagem de uma mira telescópica usada em espingardas.

Nesta quarta-feira, Palin se defendeu publicamente das críticas . Ela chamou seus críticos de “irresponsáveis” e disse que o ataque foi obra de um “criminoso demente”, e não resultado do debate político.

Congresso

O ato ocorre depois de a Câmara de Representantes ter aprovado uma resolução condenando o ataque e homenageando a memória das vítimas. Em discurso, o presidente da Casa, John Boehner, ressaltou a importância da solidariedade entre os congressistas como inspiração para sua colega ferida.

"Nossos corações estão partidos, mas nosso espírito não", disse Boehner à Câmara esta quarta-feira. "Estamos gratos, tão gratos que Gabby ainda esteja conosco. A Casa ainda precisa absorver completamente a magnitude desta tragédia", disse Boehner, segurando as lágrimas.

O líder da maioria da Câmara, Eric Cantor, chamou o tiroteio de "um ataque contra a própria essência da democracia e do governo representativo".

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