Obama pede que EUA se preparem para pior dos cenários de gripe suína

Elvira Palomo. Washington, 1 mai (EFE).- O presidente americano, Barack Obama, destacou hoje a importância de os Estados Unidos estarem preparados para o caso de a gripe suína se agravar, enquanto um grupo de cientistas trabalha para desenvolver uma vacina contra a doença.

EFE |

"Precisamos estar preparados", disse Obama, já que, embora os cientistas tenham destacado que é uma variante "relativamente suave", poderia ressurgir de maneira "mais virulenta" na próxima temporada.

O presidente destacou que o Governo começou a trabalhar de forma coordenada, em todos os estamentos, para desenvolver uma vacina, embora ainda não se saiba se haverá necessidade de usá-la.

Obama lembrou que, todos os anos, 36 mil pessoas morrem em decorrência da gripe comum nos Estados Unidos, e, por isso, há motivos para "estar preocupados, mas não alarmados".

Os especialistas americanos que trabalham na produção de uma vacina contra a gripe suína destacaram hoje em entrevista coletiva que os cultivos da variante-mãe poderiam estar prontos em três semanas.

Depois, as amostras seriam enviadas às farmacêuticas para que a vacina seja desenvolvida, em um processo que demora meses.

"Queremos estar seguros de que estamos preparados" para fazer a vacina, disse a diretora-adjunta interina do programa de ciência e saúde pública, Anne Schuchat.

Ela concedeu uma entrevista junto com a chefe da Divisão de Gripe, a especialista Nancy Cox, que ressaltou que o processo de cultivo da variante "já começou e está se encaminhando bem".

Cox explicou que, dos 13 países afetados, foram analisadas amostras do vírus AH1N1 em Estados Unidos, México, Nova Zelândia, Canadá, Holanda e Alemanha, e, em "99%" dos casos, é idêntica, uma boa notícia que facilitará a produção da vacina.

A especialista explicou que o AH1N1 é uma combinação pouco comum de genes de vírus encontrados em humanos e porcos da América do Norte, Ásia e Europa, mas disse que não foram encontradas as características da variante que causou a morte de milhares de pessoas em 1918, e que ficou conhecida como gripe espanhola.

Cox disse que os cientistas estão estudando no laboratório as mutações responsáveis pelos casos mais fortes, mas que desconhecem que resultado darão os anticorpos com os quais estão trabalhando.

"Não sabemos com certeza se serão eficazes", disse Cox, que destacou que o que mais chama atenção no comportamento deste vírus é que ataca principalmente pessoas jovens e saudáveis.

A doença causada pelo vírus AH1N1 se manifesta com febre súbita, tosse, fluxo nasal, intensas dores musculares e nas articulações, irritação de olhos e dor de cabeça.

Os últimos dados dos Centros para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês) indicam que o número de afetados nos Estados Unidos aumentou para 141, e que a doença se estendeu por 19 estados.

O caso de um bebê de 23 meses de origem mexicana que morreu nesta semana no Texas é o único, por enquanto, que acabou em morte, mas, segundo disse Schuchat, "esperamos mais casos graves".

O Departamento de Saúde americano recomendou que cada estado tenha antivirais suficientes para tratar 25% da população local.

Por sua vez, 433 colégios dos EUA suspenderam as atividades para evitar possíveis contágios, e 245.449 estudantes de 17 estados ficaram sem aulas.

Os Estados Unidos também estão fornecendo ajuda ao México, país onde foram detectados os primeiros casos, e, nas últimas 24 horas, enviaram um carregamento com 400 mil antivirais.

Até agora, a gripe suína deixou 15 mortos e 343 afetados no México.

Enquanto isso, os estados continuam fazendo provisões de remédios recomendados pelos CDC para combater a gripe.

Além disso, a secretária de Saúde, Kathleen Sebelius, mandou usar uma verba de US$ 13 milhões para comprar antivirais e repor as reservas do centro Estratégico Nacional de Remédios.

As autoridades sanitárias insistem em que é necessário que sejam levadas em conta as medidas básicas de higiene, como lavar as mãos, não esfregá-las nos olhos e na boca, e permanecer em casa se os sintomas de apresentarem. EFE elv/db

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