Obama pede menos cúpulas e mais resultados em encontros

Macarena Vidal. LAquila (EUA), 10 jul (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, comemorou os avanços obtidos na cúpula do Grupo dos Oito (os sete países mais industrializados e a Rússia), mas deixou a cidade italiana de LAquila, sede dos debates, defendendo mudanças nas reuniões internacionais.

EFE |

Na entrevista coletiva que concedeu ao término da cúpula, Obama propôs uma redução no número de reuniões internacionais. Segundo ele, isso ajudaria os encontros realizados a se tornarem mais eficientes. A prioridade, ressaltou, é que essas cúpulas sejam "o mais produtivas possível".

Nos seis meses que está no cargo, o presidente americano já participou de cinco reuniões internacionais, incluindo a do G8.

Só em abril, esteve na cúpula do G20, em Londres; no encontro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Estrasburgo; num fórum com a União Europeia (UE), em Praga, e na Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago.

A previsão é que, no fim de setembro, ele esteja presente na cúpula sobre mudança climática convocada ontem pelo secretário-geral da ONU, Ban-Ki Monn, na Assembleia Geral das Nações Unidas e na nova cúpula do G20, que acontecerá em Pittsburgh (EUA).

Segundo o presidente americano, "não há dúvida que é preciso atualizar e renovar as instituições internacionais que se estabeleceram em outros tempos e lugares". "Algumas datam do pós-guerra; outras, como o G8, completaram 30 anos", destacou.

O problema, disse, é encontrar o formato adequado, já que "todo mundo quer (...) ser incluído". "Se o país é a 21ª economia (do mundo), quer um G21. Se é excluído, acha que é uma injustiça", acrescentou.

Parte do desafio, afirmou Obama, é revitalizar a ONU, uma vez que algumas dessas cúpulas são convocadas porque a Assembleia Geral "nem sempre funciona de modo tão rápido ou efetivo como seria preciso".

Ainda de acordo com o presidente americano, qualquer que seja o sistema aprovado, é preciso incluir nele as potências do mundo em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia.

Uma nova organização "não vai funcionar se continentes inteiros, como a África ou a América Latina (sic), não estiverem adequadamente representados nestes foros internacionais de tomada de decisões", frisou.

Apesar de ter admitido que o sistema atual precisa de uma reforma, Obama disse que a cúpula de L'Aquila foi "um sucesso".

O presidente americano, que dedicou grande parte de seu tempo à promoção da não-proliferação de armas nucleares e do combate à mudança climática, voltou a pedir que o mundo se una contra estas ameaças, que colocam em risco a "paz e a prosperidade de cada país".

Obama reconheceu ainda que, ao longo da cúpula, "ninguém concordou com tudo". Como exemplo, citou os debates sobre a mudança climática, nos quais os países em desenvolvimento não conseguiram definir uma meta específica sobre a redução das emissões de gases poluentes.

No entanto, o democrata ressaltou que na cúpula ficou provado que "se todos se mantiverem unidos será possível obter progressos".

Obama também fez menção à declaração do G8, em que o grupo expressou sua preocupação com os "terríveis" eventos no Irã após as eleições de 12 de junho e o programa nuclear desse país, tema que, revelou, voltará a ser debatido na próxima cúpula do G20.

Sobre o compromisso assumido hoje pelo G8 de doar US$ 20 bilhões à luta contra a fome na África, ele declarou: "A segurança alimentar é algo extremamente importante. Os países mais ricos têm a obrigação moral de ajudar".

Porém, lembrou que, por sua vez, os países pobres têm a obrigação de "usar a ajuda de maneira transparente", criando instituições e um Estado de direito que permita a prosperidade.

Após o encerramento da cúpula, Obama foi até o Vaticano, para uma audiência com o papa Bento XVI. Em seguida, embarcaria em direção a Gana, a última etapa de sua atual viagem. EFE mv/sc

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