Obama pede fim de julgamentos em Guantánamo e agrada comunidade internacional

O pedido de Barack Obama, nesta quarta-feira, de suspender os julgamentos de Guantánamo, gerou aprovação unânime da comunidade internacional e aumentou a esperança de que a polêmica prisão seja fechada o mais rápido possível, como anunciou o novo presidente durante a campanha eleitoral.

AFP |

O relator especial da ONU sobre a tortura, Manfred Nowak, disse que o gesto de Obama foi "muito positivo".

"Parto do princípio de que (esses tribunais militares) serão suprimidos, e os envolvidos serão levados rapidamente para os Estados Unidos para comparecer perante autênticos tribunais civis, onde gozarão de todos os seus direitos", indicou o relator austríaco, que em várias ocasiões denunciou as condições dos prisioneiros em Guantánamo.

Depois de sua posse, Obama pediu a suspensão dos procssos judiciais que correm nos tribunais de exceção de Guantánamo durante 120 dias. Na quarta-feira, o juiz Patrick Parrish, responsável pelo caso do canadense Omar Khadr, acusado de crimes de guerra, acolheu a petição presidencial.

As primeiras reações na Europa ao gesto de Obama foram favoráveis.

O comissário europeu de Justiça, Jacques Barrot, definiu a decisão como "um símbolo muito forte", estimendo que finalmente o país virava a página de um "triste episódio".

A Espanha expressou sua satisfação e defendeu o fechamento definitivo de Guantánamo, que se tornou um símbolo dos excessos da "guerra contra o terrorismo" de George W. Bush.

"Guantánamo não deveria ter existido jamais, e espero que seu fechamento aconteça rapidamente", declarou o chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

A Anistia Internacional (AI), por sua vez, elogiou o gesto como "um passo no bom caminho" - que, segundo um comunicado da organização divulgado em Londres, "deve ser consolidado com o abandono permanente destes processos injustos".

Os países asiáticos muçulmanos, por sua vez, disseram esperar que o anúncio de Obama seja o preâmbulo do fechamento de Guantánamo, tristemente célebre pelas imagens de seus prisioneiros vestidos de laranja, com uma bolsa de plástico negra na cabeça e os membros amarrados.

"Nos alegramos com o princípio" do anúncio de Obama, afirmou Homayun Hamidzada, porta-voz de Hamid Karzai, presidente do Afeganistão, país onde foram capturados centenas dos detidos que passaram por Guantánamo.

O principal partido islamita do vizinho Paquistão disse que a decisão foi "boa", enquanto, na Indonésia, cerca de 20 militares pró-direitos humanos se manifestaram a favor de seu fechamento imediato.

Já Portugal se declarou disposto a acolher presos de Guantánamo; nesta quarta-feira, a Suíça indicou que estudará a possibilidade de fazer o mesmo e a França também se inclina para aceitar os detidos, mas estudando "caso por caso".

bur-cj/ap

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