Obama pede ao Irã que devolva avião não tripulado americano

RQ-170 Sentinel caiu no país persa neste mês; Teerã afirma que trabalha para obter dados de aparelho e copiar seu modelo

iG São Paulo |

O presidente americano, Barack Obama, pediu nesta segunda-feira que o Irã devolva um avião não tripulado dos EUA que está em mãos das Forças Armadas do país persa. Apesar de afirmar que não faria comentários "sobre questões de inteligência que são confidenciais", ele disse que os EUA querem a aeronave ultrassecreta de volta.

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Presidente dos EUA, Barack Obama, e o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, colocam coroa de flores no Cemitério Nacional de Arlington, Virgínia
"Pedimos que a devolvam. Veremos como os iranianos vão responder", disse o líder americano durante coletiva ao lado do primeiro-ministro iraquiano , Nuri al-Maliki, que visita Washington.

Mais cedo nesta segunda-feira, a TV iraniana afirmou que especialistas do país estavam nos estágios finais para recuperar dados do RQ-170 Sentinel, que caiu no Irã neste mês . Também nesta segunda-feira, Parviz Sururi, da subcomissão parlamentar de segurança nacional, disse que o Irã copiará o avião teleguiado e o colocará à disposição de suas forças.

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"Estamos terminando de decifrar os códigos da aeronave, e a próxima etapa será sua reprodução", afirmou o parlamentar.

Teerã citou a obtenção do aparelho como uma vitória e o expôs quase intacto na TV estatal . Autoridades americanas afirmaram que a aeronave teve um mal funcionamento, negando a informação do Irã de que suas unidades de guerra eletrônica capturaram o controle do RQ-170 Sentinel.

De acordo com o Irã, o avião teria penetrado o espaço aéreo iraniano vindo do Afeganistão e suas unidades o fizeram aterrissar sem maiores danos a 250 km da fronteira, na região desértica de Tabas (nordeste).

Pedido de prisão à Interpol

A polêmica sobre o avião aumentou no mês dia em que o procurador-geral iraniano, Gholam Hussein Mohseni Ejei, pediu à Interpol (polícia internacional) que emita uma ordem de captura contra um ex-militar dos EUA e um ex-agente da CIA (agência de inteligência americana) que, em outubro, sugeriram em uma audiência pública na Câmara de Representantes o assassinato de comandantes da Guarda Revolucionária, de acordo com a emissora iraniana em inglês PressTV.

A sessão ocorreu após a denúncia de que havia sido desmantelado uma rede terrorista nos EUA que supostamente atuava com o apoio da Força Al-Quds da Guarda Revolucionária . De acordo com a denúncia, os dois homens, um deles com nacionalidade iraniana-americana, que foi detido , haviam organizado com suposto apoio de militares iranianos um complô para atacar a Embaixada de Israel e assassinar o embaixador da Arábia Saudita em Washington.

Teerã negou categoricamente a informação , afirmando que era falsa e era uma tentativa dos EUA de desviar a atenção de seus problemas internos e indispor o regime de Teerã com o de Riad e com outros vizinhos árabes.

"Devemos acabar com todos seus interesses", disse o general reformado do Exército americano Jack Keane em uma audiência do Comitê de Segurança Interior da Câmara de Representantes em Washington, segundo a imprensa americana. Já o ex-agente da CIA Reuel Marc Gerecht afirmou: "Não acredito que intimidaremos essa gente nem chamaremos sua atenção até matarmos alguns."

AP
Foto divulgada pelo Irã mostra suposto avião não tripulado americano (08/12)
De acordo com a PressTV, ambos concordaram que, entre outros, Qassem Suleimani, comandante da Força Al-Quds do Corpo da Guarda Revolucionária, uma unidade militar especial encarregada de operações secretas no exterior, deveria ser assassinado.

*Com AP, AFP e EFE

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