Obama pede abertura de Gaza e fechamento de Guantánamo

WASHINGTON ¿ O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu nesta quinta-feira a abertura das fronteiras de Gaza, que são controladas por Israel. Ele também anunciou o nome dos enviados especiais do País para o Oriente Médio e para as regiões do Paquistão e Afeganistão. As declarações foram dadas durante visita ao departamento de Estado.

Redação com agências internacionais |

Obama escolheu George Mitchell, um ex-senador com experiência em questões internacionais, como o enviado que tentará retomar as negociações de paz entre árabes e Israel. Ao aceitar a nomeação, Mitchell, 75, prometeu que fará todos os esforços necessários para alcançar a paz e a estabilidade na região.

Ele admitiu que o problema no Oriente Médio é "volátil, complexo e difícil". Porém, diz estar otimista quanto à obtenção de resultados. O ex-senador citou sua experiência como mediador na Irlanda do Norte, onde, segundo disse, "antigos inimigos conseguiram chegar a um acordo quase 800 anos depois".

"Para conseguir a paz no Oriente Médio, será necessário aplicar capital político, recursos econômicos e a atenção muito cuidadosa das mais altas esferas dos Governos", disse.

Mitchell, cujo pai é irlandês, foi negociador para a Irlanda do Norte durante a administração do ex-presidente americano Bill Clinton. Nos anos 90, Mitchell, que anunciou o acordo da Sexta-Feira Santa, teve um papel discreto, mas decisivo, nas negociações de paz entre protestantes e católicos na Irlanda do Norte, protagonistas de um dos mais sangrentos conflitos do século XX.

Sua nomeação representa um claro sinal do compromisso assumido por Obama e sua secretária de Estado com o processo de paz entre palestinos e israelenses, sobretudo depois da ofensiva militar na Faixa de Gaza.

Durante o discurso, Obama ressaltou que os EUA estão "comprometidos com a segurança em Israel", mas que as fronteiras com a Faixa de Gaza têm que ser abertas para a entrada de ajuda humanitária e intercâmbios comerciais. "O socorro deve poder chegar aos palestinos inocentes que dependem deles", afirmou.

O presidente também chamou o ex-embaixador norte-americano na Organização das Nações Unidas Richard Holbrooke para ser o enviado especial do País no Afeganistão e no Paquistão. O anúncio foi feito oficialmente pela secretária de Estado, Hillary Clinton, em pronunciamento conjunto com Obama e o vice Joe Biden. Ela acrescentou que Holbrooke, 68, coordenará toda a política do novo governo no Afeganistão.

O ex-embaixador foi o mediador do acordo de paz de Dayton, que em 1995 pôs fim à guerra da Bósnia. Ele prometeu que fará "tudo o que puder" para atingir as metas dos EUA no Afeganistão e no Paquistão.

Holbrooke é o único diplomata americano a ter ocupado dois postos de secretário- adjunto de Estado, tendo sido encarregado dos assuntos relacionados à Ásia durante o governo Jimmy Carter e das relações européias, sob Bill Clinton.

Ele acrescentou que os países onde irá atuar "são muito diferentes em sua geografia e em sua história, mas misturados em sua composição étnica, geograficamente e no drama político atual".

Holbrooke disse ainda que no Afeganistão trabalhará estreitamente com o chefe do Comando Central do Estado-Maior americano, o general David Petraeus, e com outros altos comandantes das Forças Armadas.

Sobre o Paquistão, o novo enviado especial reconheceu que a situação no país "é infinitamente complexa". Além disso, ressaltou que respeita "completamente as tradições" dessa nação, embora tenha feito referência "às perigosas turbulências" nas áreas tribais da fronteira com o Afeganistão.

Guantánamo

Também nesta quinta-feira, Obama ordenou o fechamento da prisão de Guantánamo, em Cuba, no prazo de um ano, a revisão de tribunais militares de suspeitos de terrorismo e o fim dos métodos mais duros de interrogatório.

Entre as ações previstas no decreto de Obama estão a criação de uma força-tarefa que terá 30 dias para recomendar políticas para o tratamento de suspeitos de terrorismo que forem presos no futuro. O principal ponto é definir onde essas pessoas seriam presas, já que a base de Guantánamo será fechada.

O presidente também proibiu que os funcionários do governo usem ameaças, coerção, abuso físico e simulação de afogamento nos interrogatórios. Essas técnicas são consideradas formas de tortura. "A mensagem que estamos enviando ao mundo é de que os Estados Unidos pretendem dar continuidade à atual luta contra a violência e o terrorismo, e que nós o faremos de forma vigilante e efetiva, e o faremos de uma forma que é condizente com nossos valores e ideais", disse Obama.

O novo presidente ordenou, ainda, que o Departamento de Justiça reveja o caso de Ali al-Marri, nascido no Catar, a única pessoa presa em território americano sob o status de "combatente inimigo", uma designação que não encontra amparo na legislação internacional. A revisão tem o objetivo de definir se al-Marri pode processar o governo americano por sua liberdade, um direito que a Suprema Corte já deu aos presos de Guantánamo.

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