Obama pede a Rússia respeito às regras democráticas

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu nesta terça-feira a Rúsia que respeite as regras do Estado de direito e da democracia, em um esperado discurso sobre as relações entre os dois países em sua primeira visita a Moscou desde que chegou à Casa Branca.

AFP |

"A História nos mostra que os governos que estão a serviço do povo sobrevivem e prosperam e não os governos que estão a serviço apenas de sua própria força", declarou Obama no discurso feito na Nova Faculdade Econômica de Moscou.

Diante dos alunos da instituição, o presidente americano reiterou sua visão da Rússia.

"Que as coisas fiquem claras desde o princípio: os Estados Unidos querem uma Rússia forte, pacífica e próspera".

No discurso, em que apresentou sua ideia das futuras relações entre Rússia e Estados Unidos - que nos últimos anos foram complexas e difíceis -, Obama expôs uma série de interesses comuns e de campos de cooperação possíveis.

"Estes desafios exigem uma cooperação mundial e esta última será mais forte se a Rússia ocupar o espaço de grande potência que lhe corresponde", completou.

Obama pediu a Moscou que se una ao esforço de Washington diante dos desafios nucleares representados por Irã e Coreia do Norte.

"Nem Estados Unidos, nem Rússia seriam beneficiados por uma corrida armamentista nuclear no leste da Ásia ou no Oriente Médio", destacou, antes de afirmar que por este motivo Washington e Moscou deveriam estar unidos contra os esforços da Coreia do Norte de se transformar em uma potência nuclear e para prevenir que o Irã adquira armamento atômico.

Obama também reiterou a posição americana de que a Rússia deve respeitar a soberania de Geórgia e Ucrânia, dois aliados dos Estados Unidos que desejam aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"A soberania dos Estados é a pedra angular da ordem internacional", disse.

"Todo sistema que abandona tais direitos leva à anarquia. É por isto que este princípio deve ser aplicado a todos os países, incluindo Geórgia e Ucrânia", afirmou, antes de ressaltar que "a ideia de esferas de influência pertenceu ao século XIX".

Obama pediu ainda ao governo russo que lute contra a corrupção e assegure o respeito às leis na economia.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos elogiou em Novo Ogarevo, região de Moscou, o trabalho de Vladimir Putin no Kremlin e, desde maio de 2008, como premier, além de admitir que os dois países não concordam em tudo.

"Tenho consciência do trabalho extraordinário que realizou como presidente nos últimos anos e em seu atual cargo de primeiro-ministro", declarou em um café da manhã na residência de Putin de Novo Ogarevo, depois de ter qualificado o ex-presidente em uma entrevista de homem do passado.

"Temos uma excelente oportunidade de estabelecer bases mais sólidas nas relações russo-americanas. Não estamos, talvez, de acordo em tudo, mas mantemos consultas respondendo ao interesse do povo russo e do povo americano", completou.

Obama celebrou ainda as "excelentes discussões" de segunda-feira no Kremlin com o colega russo Dmitri Medvedev.

Vladimir Putin se mostrou cordial, ao destacar que conta com Obama para a retomada das relações Rússia-EUA.

"Associamos seu nome à esperança do desenvolvimento de nossas relações", disse Putin.

"A história das relações russo-americanas conheceu nuanças. Existiram anos de prosperidade absoluta, existiu uma rotina cinza e, inclusive, tivemos confrontos", acrescentou, sem explicar se fazia referência ao período soviético ou aos últimos anos.

O premier russo se esforçou para distender a atmosfera um pouco tensa. Ele afirmou ao presidente americano: "Preparamos um café ao estilo russo".

"Agradeço pelo bom tempo", completou Obama, já que a temperatura subiu e parou de chover, ao contrário do frio de segunda-feira, dia em que o presidente americano desembarcou em Moscou.

lal/fp

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