Macarena Vidal. Washington, 22 jan (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou hoje uma série de ordens executivas para o fechamento da prisão de Guantánamo no prazo de um ano e a revisão dos procedimentos de detenção e de interrogatórios.

Em um ato no Salão Oval que contou com a participação de militares da reserva que foram ouvidos sobre a situação dessa prisão no sudeste de Cuba, Obama afirmou que os "EUA têm como intenção dar prosseguimento à luta atual contra o terrorismo".

"Faremos de maneira vigilante, efetiva e de acordo com nossos valores e nossos ideais. Estamos decididos a vencer esta luta, e vencê-la em nossos termos", assegurou.

Ao assinar a ordem para o fechamento da prisão em Guantánamo, o novo presidente declarou que com isso "não somente cumpre um compromisso de campanha, mas também um entendimento que data da fundação de nosso país, de que estamos dispostos a respeitar certos parâmetros de conduta; não apenas quando é fácil, mas também quando é difícil".

O prazo para o fechamento do centro de detenção é de um ano, no qual "será estabelecido um processo" para determinar como proceder melhor a isso, explicou o líder.

O procedimento será complicado, já que atualmente 245 presos permanecem em Guantánamo. Entre 50 e 60, segundo algumas fontes, já receberam o sinal verde para sua libertação, e o novo Governo pretende enviá-los para o exterior.

Os EUA encontraram até agora problemas para achar nações dispostas a receber estes presos, embora um funcionário de alto escalão da Casa Branca - que não quis se identificar - tenha afirmado que "alguns países que ainda não se ofereceram farão isso no futuro".

O funcionário prometeu ainda que em nenhum caso estes prisioneiros serão enviados a Estados onde possam ser torturados, mesmo que sejam os seus próprios.

Um segundo grupo, considerado "não transferível", será julgado por tribunais americanos, mas ainda não foi definido se por cortes civis ou militares.

Um terceiro grupo, de presos considerados um risco para a segurança dos EUA, mas contra os quais não há provas admissíveis em um tribunal, terá seu destino determinado por uma equipe de trabalho criada especificamente para estudar o que fazer com eles.

O novo Governo americano afirma que os direitos humanos desses presos serão respeitados, mas eles não representarão uma ameaça para os Estados Unidos.

As ordens assinadas hoje por Obama também contemplam o fechamento dos centros de detenção criados pela CIA (Agência de Inteligência Americana) no exterior e proíbem que possam voltar funcionar no futuro.

Além disso, será criado um grupo de trabalho para revisar de maneira "exaustiva" as práticas de interrogatório e detenção dos presos, incluindo a estabelecida durante o mandato de George W. Bush e conhecida como "rendition", de enviar suspeitos a outros países para ser interrogados com métodos inaceitáveis nos EUA.

Uma quarta ordem se refere de maneira específica ao caso de Ali al-Marri, de origem no Catar e único "combatente inimigo" preso em território americano.

Obama ordenou uma revisão deste caso para determinar se Marri tem direito a apresentar um processo para exigir sua liberdade, uma possibilidade que os tribunais dos Estados Unidos abriram aos presos em Guantánamo.

Poucas horas após sua posse na terça-feira, Obama tinha pedido aos juízes militares em Guantánamo a suspensão por 120 dias dos processos dos presos detidos nessa prisão.

A detenção prolongada de supostos terroristas e sua permanência sem julgamento em Guantánamo, submetidos em alguns casos a torturas, foram durante anos alvo de críticas dos aliados de Washington e de denúncias dos defensores dos direitos humanos.

Durante sua campanha eleitoral, Obama prometeu que fecharia esse centro de detenção criado após o começo da guerra no Afeganistão, e que recebe suspeitos de terrorismo capturados em sua maioria nesse país e no Iraque.

Muitos dos detidos atualmente permanecem desde então sem que fossem apresentadas acusações contra eles ou tenha se fixado uma data para seu julgamento. EFE mv/mh

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