Obama não poupa críticas a bancos e aponta Governo como salvador

César Muñoz Acebes. Washington, 9 fev (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse hoje que só o Governo pode romper o círculo vicioso das demissões e da queda do consumo no qual o país está imerso, em uma crise cuja causa, segundo ele, são os riscos exorbitantes que os bancos assumiram.

EFE |

Obama não economizou palavras dramáticas para descrever a situação da maior economia do mundo em sua primeira coletiva de imprensa na chefia de Estado.

Seu objetivo foi promover seu plano de estímulo fiscal, que os republicanos taxam como um pacote econômico de despesas descontroladas.

Obama reconheceu que pedir ao Congresso mais de US$ 800 bilhões não é como imaginou começar na Presidência.

O presidente, porém, não demorou a usar um discurso mais forte, com o argumento de que qualquer atraso em aprovar o plano poderia fazer a economia cair em um espiral descendente como o que atingiu o Japão nos anos 90.

No Congresso "parece haver um grupo de pessoas que, embora não duvido de sua sinceridade, acham simplesmente que não deveríamos fazer nada", disse Obama, em referência aos republicanos.

Com ataques como esse, o presidente adotou um discurso mais intenso diante da oposição, que até então havia sido tratada por Obama de forma mais amena.

O pacote econômico foi aprovado na Câmara sem nenhum voto republicano e no Senado só três membros desse partido o apóiam.

Especialistas acreditam que os argumentos dos republicanos tiveram repercussão entre a população, o que motivou um esforço extra de Obama, ao convocar uma coletiva de imprensa para esta segunda-feira, em Indiana.

A maioria dos republicanos fez alarde sobre os efeitos que o pacote causaria nas contas do Governo, mas o presidente lembrou que a dívida nacional dobrou durante a era George W. Bush.

"Eu herdei o déficit que tenho agora e a crise econômica que tenho agora", afirmou.

O Senado deve aprovar o pacote de estímulo nesta terça. Após isso, o programa deverá ser harmonizado com a versão já ratificada pela Câmara antes de ser enviado à Casa Branca.

Desde o início da recessão, há pouco mais de um ano, o país perdeu 3,6 milhões de empregos e o presidente afirmou que se preocupa muito com o fato de as demissões terem subido nos últimos meses.

"Não fazer nada, ou pouco demais, gerará um déficit ainda maior, mais perda de empregos, de renda e de confiança. Esse é um déficit que pode transformar uma crise em uma catástrofe", advertiu Obama.

E essa crise, segundo ele, tem um claro culpado: os bancos. "O que nos levou a essa confusão foram os riscos exorbitantes assumidos pelos bancos em títulos duvidosos com o dinheiro dos outros", assegurou Obama.

O presidente negou que a origem dos problemas tenha sido a despesa excessiva dos americanos, mas frisou que eles deverão se adaptar porque o nível anterior era "insustentável".

Obama disse que sua tarefa imediata é "parar o espiral descendente" da economia a partir de transferências de dinheiro aos consumidores, um aumento do crédito e do investimento.

"A crise de crédito é real e não terminou", afirmou o presidente, para quem é imprescindível que o Congresso aprove o pacote de estímulo fiscal que seu Governo promove e que passa de US$ 800 bilhões.

Obama assinalou que seu Governo colaborará com essas entidades para livrá-las dos títulos de má qualidade que afetam suas contas, de modo que "se restabeleça a confiança" nos mercados financeiros.

Apesar das críticas, o pacote financeiro mantém as ajudas a bancos, embora na entrevista Obama tenha enfatizado que isso estará condicionado à limitação da remuneração de executivos.

O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, apresentará nesta terça o plano do Governo para usar os US$ 350 bilhões restantes do fundo para estabilizar o sistema bancário aprovado pelo Congresso no ano passado.

"Não sei se precisaremos de mais dinheiro ou de quanto", admitiu Obama, que frisou que primeiro seu Governo deve ver se o programa funciona.

Segundo o presidente, seu plano corrigirá os erros cometidos na era Bush, como a "falta de consistência e clareza". EFE cma/rr

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