O presidente americano, Barack Obama, deu continuidade nesta sexta-feira à sua ofensiva diplomática para relançar o processo de paz no Oriente Médio, pressionando os países árabes a fazer gestos na direção de Israel, antes de visitar o campo de concentração de Buchenwald.

No dia seguinte a um grande discurso no Cairo, no qual estendeu às mãos ao mundo muçulmano, Obama pediu aos árabes e aos palestinos que "façam escolhas difíceis" para chegar à paz, com base na coexistência de dois Estados, palestino e israelense.

"Criamos um espaço, uma clima para a retomada das negociações", afirmou em entrevista à imprensa ao lado da chanceler alemã Angela Merkel em Dresden, no leste da Alemanha.

"Mas os Estados Unidos não podem forçar os adversários a fazerem as pazes, eles podem somente ajudá-los a superar os mal-entendidos", acrescentou.

A palestinos e árabes, ele pediu gestos na direção de Israel. Dos palestinos, ele espera que parem com as "declarações incitando a raiva com relação ao Estado hebreu. Dos árabes, ele espera que estejam prontos a estabelecer "trocas comerciais e diplomáticas" com Israel, se este último se comprometer em buscar a paz.

Em Israel, ele pediu mais uma vez o fim da colonização nos territórios ocupados, lembrando que o Estado hebreu já havia se comprometido neste sentido.

"Eu reconheço que é politicamente muito difícil para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, adotar tais medidas", acrescentou.

Com Barack Obama, "temos uma possibilidade única de dar um novo fôlego a este processo de negociações", declarou Merkel. "O discurso de ontem foi uma porta aberta no mundo árabe, avanços concretos devem seguir".

Ela afirmou que a comunidade internacional tem "vontade" de ir adiante e tem a possibilidade histórica "principalmente porque muitos países do mundo árabe têm um grande interesse neste progresso, porque precisam de segurança para seu desenvolvimento econômico".

Depois de ter denunciado no Cairo o negacionismo, o presidente americano deve reforçar esta posição visitando com Merkel o ex-campo de concentração de Buchenwald (a 200km a oeste de Dresden) onde morreram 56.000 pessoas, na companhia de um dos sobreviventes, o escritor Elie Wiesel, Prêmio Nobel da Paz.

Obama passou a noite em Dresden (leste), antes de suas reuniões com Merkel em um museu da cidade.

A cidade foi destruída por bombardeios anglo-americanos intensos, que deixaram 35.000 mortos, em fevereiro de 1945, segundo estimativas, e reconstruída após a Reunificação da Alemanha em 1990.

A etapa de Dresden já gerou polêmica, pelo menos na internet: a extrema direita alemã, que manifesta todo 13 de fevereiro contra o "imperialismo americano", pede as desculpas dos EUA.

Nos EUA, os comentaristas conservadores advertem, ao contrário, contra qualquer ato de contrição.

Obama evocou brevemente a tragédia de Dresden, sem mais comentários.

No fim do dia, Obama deve visitar o hospital militar americano de Landstuhl (oeste da Alemanha), onde são atendidos os militares feridos no Afeganistão e no Iraque. Ele deve partir em seguida para a França, onde participará sábado das celebrações do 75º aniversário do desembarque aliado na Normandia, em 6 de junho de 1944.

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