O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, continuou nesta sexta-feira sua ofensiva diplomática para relançar o processo de paz no Oriente Médio, insistindo ao mesmo tempo em sua forte relação com Israel, durante uma visita simbólica ao campo de concentração de Buchenwald, na Alemanha.

Os prisioneiros deste campo, onde morreram 56.000 pessoas, "não podiam adivinhar como a nação de Israel nasceria do Holocausto, nem os laços estreitos e duradouros entre esta nação e a minha", declarou o presidente americano depois de rezar diante do memorial às vítimas, onde depositou uma rosa branca.

Dano prosseguimento na Alemanha a uma viagem iniciada no Oriente Médio, onde denunciou o sofrimento do povo palestino em um discurso no Cairo, Obama pediu novamente a árabes e israelenses difíceis concessões para chegar à paz.

Em Buchewald, visitado por ele na companhia de sobreviventes, entre os quais o escritor Elie Wiesel, Prêmio Nobel da Paz, Obama denunciou o negacionismo, "sem fundamento, ignorante e hediondo", e insistiu na amizade entre os Estados Unidos e Israel.

"Este lugar é o desmentido dessas ideias, e nos lembra que temos que enfrentar os que falsificam nossa história", declarou, em clara alusão ao presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad, que nega o Holocausto.

Mais cedo nesta sexta-feira, em entrevista coletiva em Dresden (200 km a leste de Buchenwald), Obama reproduziu as principais ideias de seu discurso sobre o Oriente Médio.

"Criamos um espaço, um clima, para a retomada das negociações, mas os Estados Unidos não podem obrigar os adversários a fazer as pazes", frisou, conclamando ambas as partes a concessões difíceis.

Dos palestinos, ele espera que parem de dar "declarações que incitam ao ódio" contra o Estado hebreu, e se comprometam a garantir a segurança em suas fronteiras. Dos árabes, ele deseja que se disponham a instaurar "relações comerciais e diplomáticas" com Israel, desde que o Estado judeu siga o caminho da paz.

Em Israel, ele pediu mais uma vez o fim da colonização judaica nos territórios ocupados. Obama lembrou que o Estado hebreu tinha assumido este compromisso, mas reconheceu as pressões políticas que levam o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a se recusar a cumprir a promessa.

Com a chanceler alemã, Angela Merkel, Obama reiterou que a solução do conflito é a criação de um Estado palestino, uma fórmula que Netanyahu se nega a utilizar.

Para Merkel, a presidência de Obama proporciona "uma oportunidade única de dar um novo impulso ao processo de negociações". A chanceler afirmou que a comunidade internacional está determinada a aproveitar esta oportunidade.

Barack Obama ainda disse que a tragédia da Segunda Guerra Mundial favoreceu o surgimento de "uma Europa unificada e de uma Alemanha aliada de Israel", e celebrou "as possibilidades da reconciliação, do perdão e da esperança".

O presidente dos Estados Unidos seguiu no final da tarde para o hospital militar americano de Landstuhl (oeste da Alemanha), onde são atendidos os soldados feridos no Afeganistão ou no Iraque. Ele viajará em seguida para a França, onde participará, sábado, das comemorações do 65º aniversário do desembarque aliado na Normandia.

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