Obama muda política de contraceptivos após críticas de religiosos

Em ano eleitoral, presidente recua de plano de exigir que empregadores religiosos forneçam métodos de controle de natalidade

iG São Paulo |

AP
Presidente Barack Obama conclui discurso na Casa Branca, em Washington
Com o objetivo de pôr fim a uma forte controvérsia política em um ano eleitoral , o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou nesta sexta-feira que encontrou uma solução para que uma política de controle de natalidade respeite tanto as liberdades religiosas quanto o acesso das mulheres a medidas contraceptivas.

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Falando na Casa Branca, Obama anunciou mudanças na política de controle de natalidade elaborada para instituições afiliadas a organizações religiosas, que grupos religiosos e outros afirmaram que violava sua fé. O presidente americano conclamou os políticos a não usar esse assunto complicado como uma questão contenciosa.

Após semanas de controvérsia crescente, o líder americano declarou que desistia de uma recém-anunciada exigência de que universidades e hospitais afiliados a organizações religiosas fossem obrigados a fornecer métodos de controle de natalidade a suas funcionárias. Em vez disso, anunciou, as companhias de planos de saúde terão de fornecer às funcionárias de tais instituições uma cobertura gratuita para métodos contraceptivos.

Funcionárias em igrejas não terão garantias de qualquer cobertura para métodos anticoncepcionais - em uma continuação da lei atual. Além disso, haverá o período de um ano de transição para as organizações religiosas depois que a política entrar em vigor, em 1º de agosto.

"A saúde de nenhuma mulher deveria depender de quem ela é, de onde trabalha ou quanto dinheiro ela ganha", disse Obama em um breve discurso na Casa Branca. Mas o "princípio de liberdade religiosa" também está em jogo. "Como cidadão e cristão, defendo esse direito."

O presidente informou o arcebispo de Nova York, Timothy Dolan, líder da Conferência de Bispos Católicos dos EUA, sobre sua decisão na manhã desta sexta-feira. Ele também discutiu o assunto com membros de Associação Católica de Saúde e da Paternidade Planejada.

A concessão de Obama surge depois de dias do aumento de uma retórica partidária e ideológica sobre o assunto. Originalmente a Casa Branca queria que hospitais e escolas com laços religiosos fornecessem uma cobertura contraceptiva completa. Mas muitos líderes católicos e outros grupos religiosos se opuseram à ideia com base em argumentos teológicos.

"A liberdade religiosa será protegida, e a lei que requer uma assistência gratuita preventiva não discriminará as mulheres", disse o presidente americano.  "Entendo algumas pessoas em Washington que querem tratar isso como uma outra questão política polêmica. Mas não deveria ser. Certamente nunca vi isso dessa forma", afirmou.

A questão sobre se instituições com laços religiosos deveriam oferecer planos de saúde com cobertura para controle de natalidade e a chamada pílula do dia seguinte, entre outras coisas, atinge vários aspectos políticos críticos. Grupos liberais pressionaram por uma cobertura maior com base na igualdade de gêneros na assistência à saúde. Os conservadores geralmente consideram isso uma violação da liberdade religiosa.

Alguns analistas políticos acreditam que a controvérsia poderia custar a Obama votos em Estados politicamente críticos como a Pensilvânia e Ohio.

*Com AP

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