Obama mantém sanções dos EUA contra a Coreia do Norte

Medidas unilaterais contra Pyongyang devem continuar em efeito "além de 26 de junho", afirma o presidente dos EUA

iG São Paulo |

O presidente Barack Obama renovou as sanções unilaterais dos Estados Unidos contra a Coreia do Norte instauradas por seu antecessor George W. Bush, citando a continuidade da ameaça do programa de armas nucleares de Pyongyang.

"A emergência nacional declarada em 26 de junho de 2008 e as medidas adotadas nessa data para enfrentar a emergência devem continuar em efeito além de 26 de junho de 2010", afirmou Obama em um anúncio distribuído pela Casa Branca.

Obama, que renovou a ordem um ano atrás, disse que a emergência nacional era efetiva por outro ano, alegando que "o risco de proliferação de material fissível que pode ser usado em armas na Península da Coreia continua representando uma ameaça extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos".

Pyongyang ameaça guerra

A Coreia do Norte afirmou na terça-feira que pode retomar a guerra se o Conselho de Segurança da ONU condenar o país ou anunciar alguma represália contra Pyongyang pelo navio de guerra sul-coreano Cheonan, afundado em março.

Os comentários foram feitos pelo embaixador norte-coreano na ONU, Sin Son-ho, em uma rara entrevista coletiva na sede da organização. "Nós não queremos que o Conselho de Segurança anuncie medidas que nos provoquem", disse Sin.

"Há uma situação incerta, na qual uma guerra pode começar a qualquer momento (...) na península coreana, devido às imprudentes manobras militares da Coreia do Sul", afirmou, acrescentando que o povo norte-coreano e o Exército do país "vão estraçalhar" seus "agressores".

© AP
Sin Son-ho, embaixador norte-coreano na ONU, concede entrevista na terça-feira
A Coreia do Sul pediu ao Conselho de Segurança que respondesse ao que afirma ser um ataque com torpedo da Coreia do Norte, contra o Cheonan, e apresentou um relatório baseado em investigações internacionais sobre o afundamento como prova do ataque.

No entanto, de acordo com a correspondente da BBC na sede da ONU em Nova York Barbara Plett, o embaixador Sin Son-ho afirmou que, se a ONU divulgar alguma declaração condenando ou questionando seu país, as forças militares norte-coreanas vão reagir.

O embaixador não especificou quem ou o quê foi o responsável pela explosão que afundou o navio Cheonan, mas indicou que acredita que o navio, cujo afundamento matou 46 marinheiros sul-coreanos, tenha naufragado depois de colidir com rochas. Sin afirmou, no entanto, que a Coreia do Sul se beneficiou politicamente ao culpar os norte-coreanos e acrescentou que os Estados Unidos usaram o incidente para fortalecer sua influência na região.

Até o momento, o Conselho de Segurança apenas afirmou estar muito preocupado com o fato de o afundamento do navio poder colocar em risco a paz na península coreana e pediu aos dois lados que evitem provocações. No entanto, o conselho ainda não condenou nenhum país devido ao incidente.

Investigação

Sin rejeitou os resultados da investigação internacional, que concluiu que a culpa pelo afundamento é dos norte-coreanos, e exigiu que seu país obtenha a permissão de enviar sua própria equipe de investigação para o local do afundamento.

Barbara Plett disse que Sin Son-ho leu uma longa declaração em que detalhou supostas falhas na investigação. Sin afirmou que o governo da Coreia do Sul recusou um pedido da Coreia do Norte, de conduzir sua própria investigação, e o embaixador exigiu várias vezes que o governo norte-coreano tivesse este direito.

Segundo Plett, se a Coreia do Norte não pudesse fazer sua própria investigação do incidente, o debate no Conselho de Segurança teria apenas um lado representado.

AFP
Destroços do navio Cheonan foram içados em abril para investigação sobre naufrágio

* Com AFP e BBC Brasil

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