Washington, 13 set (EFE).- Alheio aos protestos de milhares de pessoas, o presidente dos Estados Unidos (EUA), Barack Obama, defendeu hoje seu projeto de fazer uma reforma na saúde, que prevê estender o seguro médico para todos os cidadãos.

A Casa Branca entrou para valer na campanha para antecipar a reforma, depois de um agosto de intensos debates. Se aprovado, a reforma vai equiparar os EUA ao restante dos países ricos.

"Não tenho nenhum interesse na aprovação de um projeto de lei que não funcione. Tenho intenção, sim, de ser o presidente que antecipou o projeto, até mesmo porque este levará minhas iniciais", disse Obama em entrevista à rede "CBS".

A entrevista foi gravada na sexta-feira, mas hoje a emissora exibiu alguns trechos.

Enquanto isso, os negociadores do Comitê de Finanças do Senado finalizam um projeto de lei para ser apresentado na próxima semana, com o qual pretendem conseguir pelo menos algum apoio republicano para garantir a aprovação no plenário.

Entre os assuntos mais polêmicos está a proposta de Obama de criar um seguro público que concorra com os privados.

A grande maioria dos republicanos considera a medida como uma forma de nacionalizar parte do sistema sanitário, modelo que são contrários.

Na Casa Branca, as posições são ambivalentes. O porta-voz, Robert Gibbs, disse a "CNN" que o presidente prefere a chamada opção pública, mas que o mais importante é aumentar a concorrência.

Diante desses comentários, Lindsey Graham, um dos republicanos mais influentes do Senado, afirmou que a opção pública está morta, em uma aparição no canal "Fox News".

Com a mesma opinião está Olympia Snowe, uma republicana moderada que participa das negociações do novo projeto de lei do Senado.

"Insisti com o presidente para tirar da mesa a opção pública, porque todos os republicanos do Senado são contrários, e consequentemente, não há como aprovar um plano que a inclua", explicou a senadora à "CBS".

Mesmo assim, a Casa Branca não deu o braço a torcer publicamente.

Obama acredita que um programa público aumentá a competição em regiões onde algumas seguradoras gozam do monopólio, explicou também em entrevista à "CBS", David Axelrod, um dos principais assessores de Obama.

"O presidente segue apoiando a ideia e não está disposto a aceitar que não fará parte do pacote (legislativo) final", afirmou.

No sábado, milhares de conservadores favoráveis à redução de impostos e à restrição do gasto público tomaram o centro de Washington para protestar contra o que classificam de políticas socialistas de Obama, em particular a reforma do sistema de saúde.

Axelrod, no entanto, disse que não acredita que essa manifestação revele a opinião da nação.

Na entrevista à "CBS", o presidente queixou-se que "o debate público descambou para a grosseria e que as vozes mais altas e estridentes são as que recebem melhor atendimento".

Para resistir e continuar defendendo o debate sobre a reforma, o presidente está em plena campanha de relações públicas, fez discursos no Congresso e em Mineápolis.

Nesta semana, o tema deve ser abordado em novas manifestações em Nova York, Ohio, Pensilvânia e Maryland. EFE cma/dm

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